31 de julho de 2025
ECONOMIA

Governo se reúne com setores afetados por tarifa de 25% dos EUA e prepara pacote de apoio

Encontros com representantes da indústria começam nesta terça-feira (21) para avaliar prejuízos e definir medidas de proteção às empresas exportadoras brasileiras

Por Redação
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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal inicia nesta terça-feira (21) uma série de reuniões com representantes dos setores mais afetados pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. O objetivo é levantar os impactos econômicos da medida e definir ações para reduzir os prejuízos às empresas e preservar empregos.

A coordenação dos encontros será feita pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com participação do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan. A expectativa do governo é construir, em conjunto com os setores produtivos, um pacote de medidas de apoio às empresas atingidas pelo chamado "tarifaço".

Como resposta inicial, o governo anunciou que irá ampliar o Plano Brasil Soberano, criado no ano passado para reduzir os impactos de crises no comércio exterior. Segundo o Ministério da Fazenda, o programa será reforçado para oferecer suporte às empresas prejudicadas pela decisão dos Estados Unidos.

Em declaração divulgada pelo governo, Dario Durigan afirmou que a prioridade será dialogar com os setores afetados e fortalecer os mecanismos já existentes para proteger a produção nacional. Segundo ele, o Plano Brasil Soberano será ampliado para atender empresas que foram impactadas pela nova tarifa. A equipe econômica avalia que, apesar dos efeitos sobre alguns segmentos exportadores, a medida tem caráter localizado e não deve comprometer o ritmo geral da economia brasileira.

A sobretaxa foi confirmada pela Casa Branca após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A nova tarifa entra em vigor nesta quarta-feira (22) e deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, embora diversos produtos tenham sido excluídos da medida.

O Palácio do Planalto reagiu afirmando que a decisão não possui fundamento econômico e teria sido motivada por fatores políticos. Em nota oficial, o governo brasileiro classificou a medida como um "marco lastimável" na relação bilateral entre os dois países e informou que avalia recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, como possível resposta.

As negociações entre Brasil e Estados Unidos, segundo integrantes da diplomacia brasileira, sofreram um desgaste nos últimos meses. De acordo com informações divulgadas pelo g1, as conversas iniciadas após um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado na Malásia no ano passado, avançaram inicialmente, mas passaram a enfrentar maior resistência por parte da equipe norte-americana a partir de maio.

Entre os pontos considerados inegociáveis pelo governo brasileiro estavam mudanças relacionadas ao sistema Pix e à legislação sobre minerais críticos. Fontes do Executivo afirmam ainda que dados técnicos apresentados pelo Brasil sobre a redução do desmatamento não foram considerados durante as tratativas. Cerca de dez dias antes da oficialização da tarifa, o governo brasileiro enviou contrapropostas aos questionamentos apresentados pelo USTR, mas informou que não recebeu resposta.

Os Estados Unidos ocupam atualmente a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, o que amplia a preocupação do governo com os possíveis efeitos da medida sobre a indústria nacional. Dados do Ministério do Desenvolvimento apontam que, dos dez principais produtos exportados pelos Estados Unidos para o Brasil, oito entram no mercado brasileiro sem cobrança de tarifa de importação, enquanto os demais pagam alíquota média de aproximadamente 3%.

Diante desse cenário, o governo brasileiro sustenta que a sobretaxa anunciada pelos Estados Unidos não encontra justificativa econômica e continuará buscando uma solução por meio do diálogo diplomático, ao mesmo tempo em que prepara medidas para reduzir os impactos sobre os setores exportadores.