31 de julho de 2025
JUSTIÇA

Quase três anos após espancamento brutal, júri popular julga integrantes de torcida organizada por tentativa de homicídio contra torcedores do CRB

Symei Araújo ficou em coma na UTI com traumatismo craniano; Michael Douglas só não foi morto porque celular simulou sirene. Julgamento ocorre nesta quinta (19) na 9ª Vara Criminal de Maceió

Por Redação
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Simey Araújo foi espancado por integrantes da Mancha Azul. - Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) levará ao Tribunal do Júri, nesta quinta-feira (19), dois dos cinco denunciados pelo brutal espancamento de dois torcedores do CRB ocorrido em 2 de agosto de 2023, no bairro Ponta da Terra, em Maceió. O crime, que chocou o estado pela violência extrema, foi cometido por integrantes da torcida organizada Mancha Azul, ligada ao CSA. Symei Araújo e Michael Douglas foram atacados com pedaços de madeira cravejados de pregos, porretes e tacos de beisebol. Symei sofreu traumatismo craniano, perdeu massa encefálica e ficou em coma na UTI do Hospital Geral do Estado (HGE). Michael só não foi morto porque o toque de seu celular imitava o som de uma sirene de viatura policial, o que dispersou os agressores .

A promotora de Justiça Adilza de Freitas representará o MPAL no julgamento e sustentará as qualificadoras do crime: motivo fútil, meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e furto. Os autos descrevem que as vítimas conversavam em via pública quando foram surpreendidas por um grupo que ocupava dois veículos – um Corsa Classic preto e um Ford Ka branco – e partiu para a agressão sem qualquer chance de defesa. Symei foi atingido na cabeça e sofreu sequelas permanentes; Michael, mesmo ferido, conseguiu escapar após a falsa sirene .

Entre os denunciados está o então presidente da Mancha Azul, que já havia sido preso em 2023, logo após o crime . Na época, o MPAL conseguiu o banimento da torcida organizada dos estádios por seis meses, com proibição de entrada em um raio de cinco quilômetros dos locais de jogos e de uso de qualquer símbolo que identificasse o grupo . A promotora Sandra Malta fundamentou o pedido nos atos violentos reiterados da torcida, que incluíam não apenas este caso, mas também o linchamento do torcedor Peu, do CSA, ocorrido em maio daquele ano .

Os demais envolvidos no espancamento de Symei e Michael serão julgados separadamente em datas futuras, pois o processo foi desmembrado. Symei segue com limitações físicas e neurológicas em decorrência da gravidade dos ferimentos. O julgamento será realizado na 9ª Vara Criminal da Capital, e o MPAL pedirá a condenação dos réus pelas tentativas de homicídio qualificado, reforçando a necessidade de responsabilização em casos de violência extrema no futebol .