Protestos contra o governo em Cuba: manifestantes atacam sede do Partido Comunista em meio a crise energética
Agravamento de apagões e escassez de alimentos, causados pelo bloqueio de petróleo dos EUA, leva população às ruas em Morón; governo confirma diálogo com Washington e cinco pessoas são presas
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Manifestantes antigoverno atacaram a sede do Partido Comunista em Morón, cidade do centro de Cuba, na madrugada deste sábado (14), em uma explosão de dissidência pública. O protesto, desencadeado por apagões cada vez mais frequentes e pela escassez de alimentos, começou de forma pacífica na noite de sexta-feira (13), mas se tornou violento nas primeiras horas da manhã, segundo o jornal estatal Invasor.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um grande incêndio e pessoas jogando pedras nas janelas de um prédio, enquanto manifestantes gritavam "liberdade" ao fundo. O governo cubano informou que cinco pessoas foram presas e que outros estabelecimentos, como uma farmácia e um mercado estatal, também foram danificados.
Os protestos são reflexo direto do agravamento das condições de vida na ilha, após os Estados Unidos apertarem o cerco contra Cuba desde a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro. Maduro era o principal benfeitor estrangeiro de Cuba, fornecendo petróleo a preços subsidiados.
O presidente dos EUA, Donald Trump, cortou as remessas de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou impor tarifas a qualquer país que vendesse petróleo para a ilha. Com isso, há três meses nenhum carregamento de combustível chega ao país, forçando o governo a racionar energia e a conviver com apagões de até 12 horas diárias.
Em resposta à pressão, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel confirmou na sexta-feira (13) que Havana iniciou conversações com Washington para tentar neutralizar a crise. "Essas conversas têm como objetivo buscar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais que existem entre nossas duas nações", declarou Díaz-Canel.
Trump já havia afirmado que Cuba "está no fim da linha" e que "grandes mudanças virão em breve" para a ilha. Em discurso no dia 7 de março, o republicano disse que, após a guerra contra o Irã, Cuba seria o próximo alvo.
Manifestações públicas, especialmente as violentas, são extremamente raras em Cuba, onde a constituição de 2019 concede o direito de se manifestar, mas uma lei específica sobre o tema nunca foi aprovada, deixando os manifestantes em um limbo legal. Morón já havia sido palco de protestos significativos durante os distúrbios antigovernamentais de 11 de julho de 2021, os maiores desde a revolução de Fidel Castro em 1959.
O governo cubano afirma que uma investigação foi aberta para apurar os atos de vandalismo e que as medidas necessárias serão tomadas. Enquanto isso, a população continua a enfrentar uma das piores crises econômicas das últimas décadas, com falta de alimentos, remédios e combustível.