Emirados Árabes prendem 45 pessoas por filmarem ataques do Irã; turista britânico está entre os detidos
Autoridades usam lei de combate a crimes cibernéticos para punir quem compartilha imagens de mísseis e locais atingidos; país alega risco à segurança pública
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A polícia de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU), anunciou nesta sexta-feira (13) a prisão de 45 pessoas, incluindo estrangeiros, acusadas de filmar e divulgar vídeos dos recentes ataques do Irã contra o país. De acordo com as autoridades, os suspeitos publicaram imagens e informações consideradas enganosas nas redes sociais, o que poderia "influenciar a opinião pública e espalhar rumores" em meio à escalada do conflito na região do Golfo.
Entre os detidos está um turista britânico de 60 anos, que estava em Dubai quando foi preso. Segundo o jornal The Guardian, o homem é acusado de ter filmado um ataque com míssil iraniano na cidade. A organização Detained in Dubai, que presta assistência jurídica no país, afirmou que as acusações são baseadas em uma lei que proíbe a publicação ou compartilhamento de material que possa "perturbar a segurança pública".
Lei rigorosa contra boatos e crimes cibernéticos
As prisões se baseiam no Decreto-Lei Federal nº 34 de 2021, que trata do combate a boatos e crimes cibernéticos. A legislação criminaliza não apenas quem cria, mas também quem compartilha ou republica informações falsas ou enganosas, especialmente em momentos de crise. As penas podem chegar a dois anos de prisão e multas de até 200 mil dirhams (cerca de R$ 340 mil).
O procurador-geral dos Emirados, Hamad Saif Al Shamsi, já havia alertado contra a filmagem de "locais de incidentes ou danos resultantes da queda de projéteis ou estilhaços", afirmando que a divulgação desse tipo de conteúdo "pode incitar pânico público e criar uma falsa impressão da situação real do país".
Contexto regional
A repressão à divulgação de imagens não é exclusividade dos Emirados. Países de toda a região têm adotado medidas semelhantes em meio ao conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos. O Catar, por exemplo, anunciou a prisão de 313 pessoas por compartilhar vídeos e informações consideradas enganosas sobre os ataques.
Israel também passou a restringir a publicação de conteúdos considerados ameaça à segurança, como transmissões ao vivo que mostrem o horizonte das cidades durante os bombardeios ou imagens que permitam identificar pontos de impacto de mísseis. No próprio Irã, o governo pediu que a população denuncie quem fotografa áreas sensíveis e advertiu que infratores podem ser classificados como "inimigos".
O objetivo declarado das autoridades é impedir que imagens dos ataques sejam usadas para comprometer a segurança nacional ou fornecer informações estratégicas sobre sistemas de defesa. Críticos, no entanto, apontam que as medidas podem sufocar a liberdade de expressão e esconder a real dimensão dos danos causados pelo conflito.