31 de julho de 2025
ECONOMIA

Pão de Açúcar vai fechar? Entenda a crise do GPA e o plano de recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões

Grupo dono das bandeiras Pão de Açúcar e Extra renegocia dívidas com principais credores para evitar recuperação judicial; lojas continuam funcionando normalmente

Por Redação
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Grupo GPA, responsável pela rede de supermercados Pão de Açúcar. - Foto: Divulgação

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) informou nesta terça-feira (10) que fechou um acordo com seus principais credores e apresentou um plano de recuperação extrajudicial para reorganizar suas finanças. O objetivo é renegociar dívidas de cerca de R$ 4,5 bilhões e evitar um processo mais complexo de recuperação judicial.

A recuperação extrajudicial é um acordo no qual a empresa renegocia parte das dívidas diretamente com alguns credores, fora da Justiça, para obter mais prazo ou melhores condições de pagamento. Nesse tipo de recuperação, as operações continuam funcionando normalmente. Dívidas com fornecedores, parceiros, clientes e obrigações trabalhistas não entram no acordo.

Por que o GPA entrou em crise?

O Grupo Pão de Açúcar registra prejuízos anuais desde 2022. Entre os principais fatores que pressionaram os resultados estão:

  • A queda no consumo, especialmente em períodos de alta na inflação de alimentos;
  • Os juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas;
  • Gastos com mudanças na gestão;
  • Pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas;
  • Perdas de lojas com baixo desempenho.

No balanço do fim de 2025, o grupo informou que havia dúvidas sobre sua capacidade de manter as operações no longo prazo, com um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão causado principalmente por empréstimos e títulos que vencem em 2026.

Como funciona a recuperação extrajudicial?

Segundo a empresa, o plano foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e já conta com o apoio de credores que detêm 46% dos valores negociados (cerca de R$ 2,1 bilhões). O acordo prevê a suspensão temporária do pagamento dessas dívidas enquanto a empresa negocia novas condições.

O GPA afirmou que as operações seguem normalmente e que está em dia com os pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais. O grupo tem 728 lojas no Brasil, incluindo as bandeiras Pão de Açúcar, Extra, Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra.

O que muda para o consumidor?

A advogada Patricia Maia, do Barbosa Maia Advogados, explica que a reestruturação pode afetar consumidores dependendo da intensidade da crise. "Isso pode influenciar a disponibilidade de produtos, políticas de preço ou ritmo de expansão da própria companhia", afirma.

Ela destaca que muitas empresas brasileiras estão buscando reorganizar dívidas devido ao aumento do custo do crédito e à pressão sobre os lucros. "A recuperação extrajudicial surge como uma alternativa para isso sem interromper a operação", explica.

Nos últimos 12 meses, as ações do GPA (PCAR3) acumulam alta de 9,64%. A empresa afirmou que o plano foi estruturado para preservar o funcionamento do negócio enquanto avançam as negociações com os credores.

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