Síndrome de Havana: militares dos EUA testaram arma de energia secreta que causa lesões cerebrais, revela TV americana
Investigação do programa '60 Minutes' aponta que Pentágono adquiriu dispositivo de micro-ondas de rede criminosa russa por US$ 15 milhões e realizou testes por mais de um ano
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Uma investigação do programa 60 Minutes, da emissora americana CBS, revelou que militares dos Estados Unidos testaram secretamente por mais de um ano uma arma de energia capaz de causar lesões cerebrais semelhantes às observadas em vítimas da chamada "Síndrome de Havana". A descoberta representa uma reviravolta em um mistério que intriga agências de inteligência há quase uma década.
De acordo com a reportagem, agentes secretos do Departamento de Segurança Interna (Homeland Security) adquiriram o dispositivo em 2024 de uma rede criminosa russa em uma operação sigilosa que custou cerca de US$ 15 milhões, financiada pelo Pentágono. A arma é descrita como um dispositivo portátil, silencioso, que não gera calor como um forno de micro-ondas convencional, e pode ser programado para diferentes cenários, operado remotamente, com alcance de centenas de metros e capacidade de atravessar paredes e janelas.
Fontes do programa afirmaram que o equipamento foi testado por mais de um ano em um laboratório militar dos Estados Unidos. Experimentos com ratos e ovelhas teriam mostrado lesões consistentes com as observadas em vítimas humanas da síndrome.
A tecnologia funciona gerando pulsos de ondas de rádio que sobem e descem abruptamente, criando um padrão eletromagnético único. De acordo com o Dr. David Relman, professor de medicina da Universidade de Stanford que liderou duas investigações encomendadas pelo governo, a explicação mais plausível para um subconjunto dos casos de Síndrome de Havana é "uma forma de energia de radiofrequência ou micro-ondas".
"Quando você produz pulsos como este, pode realmente estimular tecidos eletricamente ativos, como o tecido cerebral e o coração, imitando o que o cérebro normalmente faz, mas agora você o está conduzindo com seus pulsos do exterior", explicou Relman. Ele acrescentou que as pesquisas sobre esses efeitos foram conduzidas em grande parte na antiga União Soviética, que aparentemente vinha aperfeiçoando o conceito há décadas.
A investigação ouviu diversas vítimas que descreveram experiências aterrorizantes. Chris, um tenente-coronel aposentado da Força Aérea que trabalhou com satélites espiões altamente classificados, relatou que foi atingido cinco vezes em sua própria casa na Virgínia do Norte em 2020.
"O primeiro incidente ocorreu em agosto de 2020. Parecia que alguém tinha me dado um soco na garganta, e minha orelha esquerda estava entupida. E comecei a sentir dores agudas descendo pelo meu braço esquerdo", recordou . Em outro ataque, ele sentiu "um torno imediato na cabeça", ficando imediatamente desorientado, confuso e tonto. O pior ataque, segundo ele, o acordou com "uma convulsão de corpo inteiro, a pior dor que já senti. Parecia um torno apertando meu tronco cerebral".
Sua esposa, Heidi, também desenvolveu problemas médicos graves, incluindo dor articular imensa e uma condição chamada osteólise, que fez com que ossos de seu ombro se dissolvessem, exigindo cirurgia.
Os investigadores também obtiveram imagens classificadas de câmeras de segurança que parecem mostrar americanos sendo atingidos pela arma. Em uma delas, gravada em um restaurante em Istambul, dois agentes do FBI sentados com suas famílias repentinamente seguram a cabeça com dor depois que um homem com uma mochila entra no local. Em outra, de uma escadaria na embaixada dos EUA em Viena, duas pessoas caem subitamente.
Apesar das evidências, avaliações oficiais divulgadas pelo governo dos Estados Unidos em 2023 afirmaram ser "muito improvável" que os casos tenham sido causados por ataques de um país adversário. Um ex-oficial da CIA que trabalhou na unidade interna de investigação da agência disse ao 60 Minutes que acreditava que a investigação sobre a Síndrome de Havana foi minimizada.
"Uma das primeiras coisas que ouvi quando cheguei à Unidade AHI foi: 'Nosso trabalho é diminuir a temperatura do AHI na sede'", relatou, referindo-se à sigla para "incidentes anômalos de saúde" (Anomalous Health Incidents) usada pelo governo. Ele disse que a liderança queria tratar os casos como uma "questão atmosférica e ambiental", em vez de um ator estatal, e acabou renunciando por considerar a questão "um problema moral".
Reação oficial
O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) afirmou ao programa que "a equipe que conduz a revisão da inteligência sobre AHI tem sido e continua incansável em seu trabalho e na busca da verdade para completar a avaliação". A revisão, segundo o órgão, será "abrangente e completa" antes de ser divulgada.
O fenômeno conhecido como Síndrome de Havana recebeu esse nome após os primeiros casos serem registrados entre diplomatas americanos em Cuba, em 2016. Desde então, centenas de casos foram relatados em todo o mundo, com sintomas que incluem dores de cabeça intensas, perda de equilíbrio, problemas de visão, zumbido, sangramentos e dificuldades cognitivas.