31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Acusado de estupro coletivo usa camiseta com frase misógina ao se entregar; pai é acusado de intimidação

Vitor Hugo Simonin vestiu "Regret Nothing" ("Não me arrependa de nada") na delegacia; ex-subsecretário estadual teria atacado nas redes advogado da vítima e atriz

Por Redação
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Câmeras filmaram suspeitos de estupro coletivo deixando prédio em Copacabana. - Foto: Reprodução

O caso do estupro coletivo ocorrido em 31 de janeiro em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ganhou novos desdobramentos que vão além das acusações formais contra os envolvidos. Nesta terça-feira (10), o menor de 17 anos apontado como mentor do crime e ex-namorado da vítima passa por uma audiência que vai definir onde ele ficará internado. O adolescente se entregou na última sexta-feira (6) e aguarda transferência para uma unidade de internação provisória.

A camiseta "Regret Nothing" e a conexão com a machosfera

Um dos detalhes que mais chocou a opinião pública foi a postura do acusado Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, ao se entregar na 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana) na última quarta-feira (4). Vitor Hugo, filho do então subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, José Carlos Costa Simonin (exonerado horas antes do ocorrido), vestia uma camiseta preta com a frase em inglês "Regret Nothing" (em português, "Não se arrependa de nada" ou "Sem arrependimentos").

A escolha da vestimenta gerou imediata indignação e acendeu um alerta sobre as motivações do crime. A frase é um lema amplamente associado a Andrew Tate, influenciador britânico-americano, réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores, que se tornou um ícone de comunidades online misóginas conhecidas como "machosfera".

Esses grupos, que incluem os "red pills", "incels" e o movimento "MGTOW", propagam discursos de ódio e subjugação das mulheres, oferecendo respostas simplistas para frustrações e incentivando uma visão agressiva da masculinidade.

O uso da camiseta foi interpretado como um deboche e um gesto de afirmação, uma forma de declarar publicamente sua "filosofia" de vida, o que expõe ainda mais a cultura misógina que pode ter influenciado o crime. A imagem do acusado, que entrou na delegacia de cabeça erguida e sem esconder o rosto, viralizou nas redes e foi duramente criticada . A apresentadora Chris Flores, no programa "Melhor da Tarde" da Band, classificou a atitude como um "deboche com a nossa cara".

Pai de acusado é acusado de usar redes para intimidar

Enquanto o caso segue seu curso na Justiça, o comportamento do pai de Vitor Hugo, José Carlos Simonin, também se tornou alvo de investigação e indignação. Na segunda-feira (9), surgiram relatos de que o ex-subsecretário teria usado as redes sociais para intimidar pessoas que comentavam sobre o caso.

Um dos alvos foi o advogado Rodrigo Mondego, que representa a família da vítima. Segundo o próprio advogado, Simonin o teria chamado de "vagabundo" em uma mensagem, em uma tentativa de "ameaçar e intimidar". A atriz e influenciadora Sherazade Medina também prestou queixa contra Simonin. Ela anexou um print em que o ex-subsecretário responde a um story no Instagram em que ela comentava o caso, escrevendo a frase "esconde esses peitos".

Sherazade destacou o curto espaço de tempo entre as agressões. "Ele primeiro intimidou o advogado da vítima, o doutor Rodrigo Mondego. E aí, num curto espaço de tempo, ele veio me intimidar. Acho que foi uma diferença de 5 a 10 minutos entre uma intimidação e outra", relatou à CBN. José Carlos Simonin foi exonerado do cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa logo após o crime vir à tona.

O crime, que chocou o país por sua violência e por envolver jovens de classe média e estudantes do tradicional Colégio Pedro II, segue sendo investigado. Os quatro maiores envolvidos já estão presos. A atitude do acusado e as ações de seu pai apenas adicionam mais camadas de horror e revolta a um caso que escancara a banalização da violência contra a mulher.

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