31 de julho de 2025
POLÍCIA

Síndica e porteiros foram decisivos para revelar abusos de José Dumont, aponta sentença

Funcionários do condomínio revisaram imagens e acionaram polícia após notarem movimentação suspeita; gravações mostraram beijos e apalpamentos e foram determinantes para condenação

Por Redação
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Ator José Dumont, de 75 anos, foi preso por estupro de vulnerável - Foto: Reprodução

A sentença que condenou o ator José Dumont a 9 anos e 4 meses de prisão por estupro de vulnerável destaca que a atuação da síndica e dos porteiros do condomínio onde o artista morava foi fundamental para que os abusos cometidos contra um menino de 14 anos fossem descobertos e denunciados. Dumont foi preso na terça-feira (3) pelos crimes.

De acordo com o processo, os funcionários do prédio, localizado no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio, perceberam movimentações incomuns entre o ator e o menor e decidiram revisar as imagens das câmeras internas. As gravações revelaram beijos na boca e apalpamentos praticados por Dumont, o que motivou a notificação imediata à polícia — prova que se tornaria peça central na condenação.

A descoberta

Segundo a sentença, o porteiro noturno foi o primeiro a notar que havia "uma movimentação estranha" entre Dumont e o adolescente. No dia seguinte, comunicou o fato ao porteiro-chefe, que decidiu revisar as imagens. Ao assistir às gravações, o porteiro-chefe confirmou que o ator "apalpava e beijava o menor", reconhecendo que se tratava da mesma criança vista em dias diferentes ao lado de Dumont.

A síndica foi acionada pelo porteiro-chefe e também assistiu às imagens. Ao constatar o conteúdo, ela descreveu que nas gravações é possível ver que Dumont "puxa o menino, passa a mão pelas costas, desce a mão no corpo todo, se aproxima e beija" — segundo ela, "um beijo na boca".

Diante da gravidade do material, a síndica procurou imediatamente o corpo jurídico do condomínio e comunicou os fatos à autoridade policial, dando início à investigação.

Imagens determinantes

O magistrado responsável pela sentença, Daniel Werneck Cotta, afirma que as gravações foram conclusivas ao confirmar os atos libidinosos. Segundo o laudo citado, em 30 de julho de 2022, o ator "beija o menino na boca"; já no dia 1º de agosto, Dumont "apalpa nádegas, mamilos e pênis (com um tapa) do menino; tudo por cima das roupas", além de beijá-lo novamente na boca.

O juiz enfatiza que as imagens contradizem totalmente a versão do ator — que alegou ter beijado o garoto no rosto por afeto — e reforçam a credibilidade do depoimento da vítima.

O papel ativo da síndica e dos porteiros foi interpretado pelo juiz como essencial para interromper um ciclo que, segundo o depoimento do adolescente, já vinha ocorrendo havia semanas. Sem a iniciativa dos funcionários, destaca a sentença, os abusos dificilmente teriam sido revelados, já que o menino não contou espontaneamente à família por vergonha.

Aproximação e "segredinho"

O documento relata que a aproximação entre Dumont e o menino começou após o garoto reconhecê-lo como ator. A vítima contou que passou a receber presentes e dinheiro do réu e que era frequentemente chamada para encontrar o ator na portaria. Em depoimento, o menino relatou que os atos se repetiram diversas vezes, e que o ator pedia para que ele não contasse a ninguém, chamando o que acontecia de "nosso segredinho".

O juiz classificou essa estratégia como uma conduta premeditada, dizendo que o réu "buscou ganhar a confiança da vítima e de sua família" para atrair o menino ao prédio.

Condenação e indenização

Com base no conjunto robusto de provas — incluindo as imagens coletadas pelo condomínio — José Dumont foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado, por dois crimes de estupro de vulnerável em continuidade delitiva. O juiz também fixou indenização mínima de R$ 10 mil à vítima por danos morais, com juros de 1% ao mês desde o crime e correção monetária.

Durante busca e apreensão na casa do ator, foram encontradas mídias com pornografia infantil, fato mencionado pela magistrada como indicativo de uma "personalidade compatível" com os delitos investigados, embora esse material seja objeto de outra ação penal.

A TV Globo entrou em contato com a defesa do ator, mas não recebeu resposta até a última atualização.

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