Nova denúncia de estubro contra mesmos suspeitos de violentar adolescente em Copacabana
Mãe de outra vítima registrou ocorrência relatando abuso cometido em 2023, quando a filha tinha 14 anos; Mattheus Verissimo se apresentou na 12ª DP e três seguem foragidos
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Uma nova denúncia de estupro foi registrada contra alguns dos mesmos acusados de violentar sexualmente uma adolescente de 17 anos em janeiro deste ano em um apartamento de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O registro foi feito pela mãe de outra adolescente, que narrou o abuso supostamente cometido em 2023, quando a vítima tinha 14 anos.
O relato foi feito na 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana) e aponta que três dos cinco envolvidos no caso de janeiro também teriam cometido um crime similar há três anos, usando a mesma forma de atrair a vítima a um apartamento, onde ela teria sido surpreendida pelos demais agressores. Não foi divulgado quem são os três suspeitos apontados na ocorrência mais antiga.
Segundo envolvido se entrega à polícia
Na manhã desta terça-feira (3), Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, se entregou na 12ª DP (Copacabana) acompanhado de seu advogado. Ele chegou de cabeça baixa e boné, sem falar com a imprensa. Mattheus era procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro desde a semana passada.
Com isso, três dos quatro acusados maiores de idade seguem foragidos:
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos – estudante da Unirio, que suspendeu o aluno por 120 dias
- Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos – filho do subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do Rio, José Carlos Costa Simonin
- João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos – jogador do Serrano FC, que afastou o atleta e suspendeu seu contrato
Um adolescente de 17 anos, ex-namorado da vítima, também é investigado e responderá por ato infracional análogo ao crime na Vara da Infância e Juventude .
Decisão da Justiça e pena prevista
Na sexta-feira (27), a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou os jovens réus pelo crime de estupro qualificado, pela vítima ser menor, majorado pelo concurso de pessoas — quando o crime é praticado por dois ou mais agressores, o que torna a conduta mais grave. A lei determina o aumento da pena final em um quarto.
A pena prevista para o estupro, neste caso, é de reclusão de oito a 12 anos em caso de condenação.
O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), negou os pedidos de habeas corpus apresentados por três dos quatro investigados. Como o processo corre em segredo de Justiça, não é possível saber quais réus entraram com os recursos.
O que diz a defesa de João Gabriel
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho, representada pelo advogado Rafael De Piro, nega as acusações. Sustenta que mensagens de texto provam que a jovem "sabia da presença prévia dos outros rapazes" no local e que a vítima teria consentido inicialmente com a permanência deles no quarto durante o encontro íntimo com o amigo . As defesas dos demais réus não foram localizadas.
Instituções tomam medidas
O Colégio Pedro II, onde os suspeitos estudavam, abriu processo administrativo e determinou o desligamento dos estudantes envolvidos . A Unirio suspendeu Bruno Allegretti por 120 dias . O Serrano Football Club afastou João Gabriel e suspendeu seu contrato.
Apoio à vítima e polêmica
A Secretaria da Mulher do Governo do Estado afirmou que está prestando apoio jurídico e psicológico à adolescente e sua família . No entanto, a defesa da vítima, representada pelo advogado Rodrigo Mondego, contestou a informação, negando contato por parte da pasta e ressaltando que a família está precisando de assistência.
O governo do estado, em nota, repudiou "veementemente o ato de extrema violência" e afirmou que a Polícia Civil já concluiu a investigação e identificou os cinco autores.
Relembre o caso
O crime ocorreu na noite de 31 de janeiro, em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana . A vítima foi convidada pelo ex-namorado, de 17 anos, para ir ao local. Ao chegar, foi conduzida a um quarto, onde ficou trancada com quatro homens que a forçaram a praticar atos sexuais sob violência física e psicológica.
Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens e a saída deles, pouco depois da 1h . Após deixar o apartamento, a adolescente contou a uma amiga e à família o que havia acontecido e procurou a delegacia.
O exame de corpo de delito confirmou lesões compatíveis com violência física e sexual, com infiltrado hemorrágico e escoriações na região genital e hematomas nas costas e glúteos.