31 de julho de 2025
VIOLÊNCIA

'Eu só quero que eles paguem', diz mãe de adolescente vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro

Quatro jovens entre 18 e 19 anos são procurados pela polícia; um adolescente também é investigado. Mãe relata desespero ao ver ferimentos da filha: "Ela suspendeu o vestido e eu fiquei desesperada"

Por Redação
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Mãe de vítima de estupro coletivo pede justiça para a filha - Foto: Reprodução/TV Globo

A mãe da adolescente de 17 anos vítima de um estupro coletivo em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, desabafou em entrevista ao g1 e à TV Globo e fez um apelo: "Eu só quero que eles paguem". A mulher, que não será identificada para preservar a filha, contou o momento em que percebeu a gravidade do crime.

"Foi quando ela suspendeu o vestido mais ou menos até aparecer a nádega e eu fiquei desesperada. Só catei os documentos e falei: 'Vamos pra delegacia'", relatou. O exame no Instituto Médico Legal (IML) confirmou lesões na região genital da jovem.

A vítima só contou à mãe o que aconteceu após conversar com a melhor amiga, que alertou que ela havia sido vítima de estupro. "A minha filha foi muito corajosa, tanto que fez com que ela reconhecesse esses meliantes. Através desse reconhecimento, pode haver outras vítimas", afirmou a mãe.

Quem são os suspeitos

A polícia procura quatro jovens indiciados por estupro com concurso de pessoas, todos considerados foragidos:

  • Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos
  • João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos
  • Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19 anos
  • Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos

Um adolescente de 17 anos também é investigado por ato infracional análogo ao crime.

Dois dos suspeitos, Vitor Hugo e o adolescente, são alunos do Colégio Pedro II e já tinham histórico de comportamento inadequado na instituição, incluindo advertências e suspensões por agressão. A reitoria do colégio abriu processo administrativo para desligar os estudantes.

Portal dos Procurados divulgou cartaz dos quatro jovens denunciados pelo estupro coletivo - Divulgação/Disque Denúncia

O crime

Segundo o inquérito da 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo na noite de 31 de janeiro. No elevador, ele avisou que mais amigos estariam no local e sugeriu que fariam "algo diferente", o que a vítima recusou.

No apartamento, ela foi levada a um quarto e, enquanto mantinha relação com o rapaz, outros quatro jovens entraram. A vítima relatou que concordou apenas que eles permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, segundo o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal e foi impedida de sair.

Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens e a entrada da adolescente. Após ela deixar o local, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos interpretados como "comemoração".

O que diz a defesa de João Gabriel

Em nota, a defesa de João Gabriel Bertho negou a ocorrência de estupro, afirmando que "a jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo". A defesa contesta ainda que a imagem da jovem se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço não tenha sido objeto da investigação.

Próximos passos

A 12ª DP informa que outras vítimas podem procurar a delegacia para depoimento. A advogada da família, Mariana Rodrigues, afirma que há relatos de situações parecidas envolvendo o mesmo grupo no Colégio Pedro II, incluindo tentativas de beijo e uso de bebidas para obter favorecimento sexual.

A vítima é acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, já que o colégio é federal.

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