Chuvas em Alagoas: Piranhas decreta emergência; reconstrução da ponte e obra de drenagem são prioridades
Em 24 horas, cidade registrou 128 mm, maior volume do país; casal foi arrastado — mulher morreu e homem segue desaparecido. Centro Histórico reabre na quinta (5)
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A Defesa Civil Estadual segue monitorando, nesta segunda-feira (2), a situação em Piranhas, no Sertão de Alagoas, após as fortes chuvas que atingiram a região no fim de semana. O volume de água provocou alagamentos generalizados, destruição no Centro Histórico e a morte de uma mulher, enquanto o marido dela continua desaparecido.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Alagoas, coronel Moisés Melo, em entrevista à TV Pajuçara, o acumulado de chuvas em apenas dois dias foi o dobro do esperado para todo o mês de fevereiro. "Choveu o dobro que era esperado para um mês, correspondente a dois meses de chuva em apenas dois dias. Isso gerou muito dano, principalmente público", explicou.
Melo destacou que a decretação de emergência é fundamental para agilizar o acesso a recursos federais e a reconstrução da cidade. "Isso facilita demais para o município. Primeiro para fazer as contratações emergenciais, que seguem todo um protocolo. Um dano daquele o município não suporta, por isso faz necessário decretar situação de emergência", afirmou.
O prefeito Tiago Freitas deve assinar o decreto ainda nesta segunda-feira, com apoio do Governo do Estado.
Casal vítima das chuvas
O casal Elian Caetano Torres, 44, e Solange Lima da Silva, 39, foi arrastado pela enxurrada na madrugada de sábado (28) enquanto estava em um carro. Solange foi encontrada morta dentro do veículo. Elian segue desaparecido, e as buscas continuam.
Estragos e desabrigados
Os temporais afetaram principalmente áreas urbanas, com impacto severo no Centro Histórico de Piranhas. A ponte que liga o município a Canindé do São Francisco (SE) foi destruída — uma cratera de mais de 20 metros se abriu no trecho alagoano, interrompendo totalmente o tráfego. Cerca de 20 pessoas estão desabrigadas e foram acolhidas no Centro Municipal de Convivência. O trecho da rodovia AL-225 também cedeu após o transbordamento na região de Xingó.
Ponte: sem previsão de reconstrução
Segundo o coronel Moisés Melo, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) foi acionado para iniciar os procedimentos de recuperação da ponte, mas ainda não há data para o início das obras nem previsão de liberação do tráfego. A Defesa Civil encaminhou um ofício à Chesf solicitando autorização para usar um caminho alternativo por área da empresa como desvio provisório, mas até o momento não houve liberação.
Obra de drenagem e reabertura do Centro Histórico
O secretário de Infraestrutura, Pedro Pacheco, informou que a prefeitura estuda a realização de uma nova obra de drenagem para solucionar os alagamentos recorrentes. Segundo ele, a água que invadiu as ruas veio do transbordamento de um riacho que corta a região, cuja tubulação existente não suporta o volume em chuvas extremas. Técnicos devem iniciar estudos para uma intervenção estruturante.
Apesar dos estragos, os imóveis do Centro Histórico não sofreram danos estruturais. A partir de quinta-feira (5), as atividades turísticas na área serão retomadas de forma gradual. A prefeitura realizou vistorias e adequações emergenciais nas vias de acesso e espaços de serviços para garantir mais segurança.
Chuvas históricas
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Piranhas registrou o maior acumulado de chuvas do Brasil entre sexta (27) e sábado (28): 128,4 mm em 24 horas. O coronel Moisés Melo explicou que as chuvas são provocadas por um cavado de baixa pressão que atua sobre o estado, com alerta estendido pelo menos até esta segunda-feira, podendo chegar a quarta-feira.
A Defesa Civil orienta a população a acompanhar os alertas oficiais e evitar áreas de risco.