31 de julho de 2025
SÃO PAULO

"Se vangloriava de ser do PCC": juíza aponta ligação de réu com facção em feminicídio no Morumbi

Alex Leandro Bispo dos Santos se tornou réu por jogar a companheira Maria Katiane do 10º andar

Por Redação
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Alex Leandro se vangloriava de ser do PCC - Foto: Reprodução

A juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, da 5ª Vara do Júri de São Paulo, mencionou em sua decisão que Alex Leandro Bispo dos Santos, réu por suspeita de jogar a companheira Maria Katiane Gomes da Silva do 10° andar do prédio onde moravam, na zona sul da capital paulista, se vangloriava de ser integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme apontava o noticiário. Na decisão proferida em 4 de fevereiro, que tornou Alex Leandro réu no caso, a magistrada também decretou a prisão preventiva do suspeito, apontando riscos à instrução penal e à ordem pública.

Como justificativa para a manutenção da prisão, a juíza destacou que testemunhas do crime residem no mesmo condomínio onde o feminicídio ocorreu, o que poderia representar risco caso o réu fosse colocado em liberdade. Além disso, a magistrada citou o fato de Alex Leandro já ter sido condenado criminalmente em uma ocasião anterior e mencionou que há notícias de que ele se "vangloriava em ser 'escorpião do PCC' e em ter 'irmãos'", o que, de acordo com a juíza, indica possível envolvimento com a organização criminosa e reforça a necessidade da medida extrema para garantir a segurança de testemunhas e a aplicação da lei penal.

O crime que chocou São Paulo ocorreu na madrugada de 29 de novembro do ano passado, quando Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, foi encontrada morta no estacionamento do condomínio onde morava com o companheiro, na Vila Andrade, zona sul da capital, logo após uma queda do 10º andar. Gravações feitas pelas câmeras de segurança do elevador flagraram o agressor dando pelo menos um soco em Maria Katiane, além de tentar agarrar seu pescoço e arrastá-la para fora do elevador de forma violenta. Cerca de um minuto depois, Alex Leandro retorna sozinho ao elevador, coloca as mãos na cabeça e se senta em gesto de aparente desespero, antes de descer ao estacionamento, debruçar-se sobre o corpo da companheira e tentar reanimá-la.

O histórico criminal de Alex Leandro, hoje com 40 anos, remonta a 2003, quando ele participou do sequestro-relâmpago de Roberto Calmon de Barros Barreto Filho, sobrinho do ex-senador Eduardo Suplicy, crime ocorrido na região dos Jardins. Na ocasião, ele e uma cúmplice adolescente abordaram a vítima, mantendo-a sob mira de arma e exigindo cartão bancário e senha, sendo posteriormente condenado a seis anos e quatro meses de prisão. Além desse episódio, Alex possui registros criminais por roubo e falsidade ideológica, totalizando 22 anos de envolvimento com o sistema de justiça criminal antes de ser acusado de feminicídio.

Em seu interrogatório, prestado no dia 5 de janeiro, Alex Leandro afirmou que o casal mantinha uma relação "saudável e tranquila", apesar de mencionar que Maria Katiane apresentava um quadro depressivo. Segundo sua versão, na noite do crime, o casal havia passado a madrugada no camarote de uma balada, consumindo champanhe, tequila e cerveja. Ao retornarem para casa por volta das 4h, teria ocorrido uma discussão após ele mencionar que pretendia visitar o filho de outro relacionamento. Sobre as agressões registradas em vídeo, o suspeito alegou que "perdeu a cabeça" após a mulher descer duas vezes para a garagem. A porta do banheiro do apartamento, encontrada destruída, foi explicada por ele como consequência de a mulher ter ficado presa e ele precisar arrombá-la . A defesa de Alex Leandro, por sua vez, definiu o ocorrido como uma fatalidade isolada e ressaltou a importância da análise do cartão de memória original das câmeras, cujas imagens de segurança do apartamento foram entregues à polícia pelo próprio suspeito.

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