31 de julho de 2025
polêmica

Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas ligadas a operador do Banco Master

Duas notas fiscais foram canceladas e uma terceira seguiu faturada para firmas de fachada investigadas por movimentar R$ 58 milhões do grupo de Daniel Vorcaro

Por Redação
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Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas usadas em esquema de Vorcaro - Foto: Reprodução

O escritório de advocacia do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais para empresas ligadas à estrutura financeira de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os registros indicam que o envolvimento entre o parlamentar e o empresário ultrapassa os aportes já conhecidos para o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Documentos mostram que, em 7 de abril de 2025, a banca do senador emitiu e cancelou duas notas de R$ 500 mil cada contra a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. Dois dias depois, em 9 de abril, faturou uma terceira nota no mesmo valor de R$ 500 mil, desta vez para a Contábil Correa, sem registro de cancelamento.

Ambas as empresas estão vinculadas ao contador Rogério Lourenço Novo, que figura como único diretor da Copenhagen, sócio da Contábil Correa e conselheiro da Ambipar. A Copenhagen — que possui capital social de apenas R$ 40 e funciona no mesmo endereço da Contábil Correa — recebeu R$ 58 milhões do Banco Master, figurando entre os dez maiores destinos de recursos da instituição financeira.

Elo com investigados e o que diz a defesa

A Copenhagen pertence no papel ao fundo de investimentos Estônia, gerido pela Trustee DTVM, instituição sob investigação da Polícia Federal por suposta ocultação de patrimônio do grupo de Vorcaro. Rogério Lourenço Novo também já foi apurado pela PF em esquemas de emissão de notas fiscais falsas entre 2013 e 2015.

Em nota oficial enviada por sua assessoria, Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e afirmou ter firmado contrato apenas com a BR Global (nome fantasia da Contábil Correa) para prestação de serviços jurídicos:

"Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo o meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen Assessoria, razão pela qual as notas fiscais foram canceladas. Ou seja, estou sendo ‘acusado’ de NÃO receber alguma coisa. Não tenho e jamais tive conhecimento de qualquer relação ou vinculação entre a BR Global ou a Copenhagen e o Master. Qualquer tentativa de me associar a este banco é capciosa, desprovida de qualquer fundamento fático", declarou a assessoria de Flávio Bolsonaro.

O parlamentar sustentou ainda que seus dados fiscais estão protegidos por sigilo e atribuiu o vazamento das informações a órgãos governamentais com supostos fins eleitorais, anunciando que acionará as instâncias cabíveis para apurar as responsabilidades cíveis e criminais.