31 de julho de 2025
DISTRITO FEDERAL

Pedro Turra orientou testemunhas a combinarem versão de legítima defesa, aponta processo do TJDFT

Informação consta nos autos que negaram pedido de soltura do ex-piloto, que agora é réu por homicídio doloso pela morte do adolescente Rodrigo Castanheira

Por Redação
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O piloto Pedro Turra - Foto: Reprodução/Redes sociais

O ex-piloto Pedro Turra, agora réu por homicídio doloso pela morte do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, teria orientado testemunhas a combinarem versões para sustentar uma eventual tese de legítima defesa. A informação consta no processo em que a defesa dele pediu a revogação da prisão preventiva, obtido pelo Metrópoles.

Nessa quinta-feira (12/2), a 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) negou, por unanimidade, o pedido para soltar Turra, que está preso desde 30 de janeiro.

O relator do caso, desembargador Diaulas Costa Ribeiro, afirmou que a prisão preventiva encontra respaldo em "fundamentação concreta, idônea, adequada e proporcional", diante da gravidade da conduta e dos indícios de que o acusado representa risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.

Segundo o magistrado, "há elementos probatórios indicando que o paciente buscou interferir na instrução criminal, orientando testemunhas a combinarem versões". O desembargador destacou que essa conduta compromete a busca pela verdade real e justifica a manutenção da medida extrema.

"A liberdade, nessas circunstâncias, longe de neutralizar riscos, seria estímulo para sua continuidade" , justificou o relator.

A defesa de Turra sustentou que a decisão que decretou a prisão preventiva teria se baseado em repercussão midiática e em vídeos não submetidos ao contraditório, além de alegar que o acusado possui condições pessoais favoráveis — como residência fixa, ausência de antecedentes criminais e colaboração com as investigações — para responder ao processo em liberdade.

Os advogados também relataram que Turra estaria sofrendo ameaças de morte dentro e fora do presídio, inclusive com oferta de recompensa em dinheiro, o que motivou pedido de isolamento em cela individual.

Rodrigo Castanheira foi agredido por Pedro Turra na madrugada de 23 de janeiro, em Vicente Pires (DF), após um desentendimento envolvendo um chiclete arremessado na saída de uma festa . O adolescente ficou internado em estado gravíssimo por 16 dias e morreu no dia 8 de fevereiro .

Com a morte da vítima, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) reclassificou o crime, originalmente tratado como lesão corporal gravíssima, para homicídio doloso qualificado por motivo fútil, apontando inclusive indícios de premeditação . A denúncia foi aceita pela Justiça nesta sexta-feira (13/2), tornando Pedro Turra oficialmente réu em uma ação penal.

O MPDFT também requereu que Turra seja condenado a pagar R$ 400 mil por danos morais à família da vítima.

Além deste caso, a Polícia Civil investiga outras quatro denúncias envolvendo o ex-piloto, incluindo agressões anteriores e uma acusação de coação contra uma adolescente.

Com a denúncia aceita, o processo agora segue para a fase de instrução, com apresentação da defesa, produção de provas e depoimentos, até a realização do julgamento.

A defesa de Turra informou que protocolou pedido de reconsideração e também acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a prisão preventiva.

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