31 de julho de 2025
ECONOMIA

Turismo brasileiro bate recorde histórico em 2025 e cresce pelo quinto ano consecutivo

Setor fechou ano com alta de 4,6% e atingiu maior patamar em 14 anos de série histórica do IBGE. Transporte aéreo, hotéis, bufês e agências de viagem puxaram expansão

Por Redação
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Atividades turísticas no país crescem 4,6% em 2025 e atingem recorde - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil nunca viajou tanto — pelo menos nos registros oficiais. O setor de turismo encerrou 2025 no maior nível de atividade dos últimos 14 anos, com crescimento de 4,6% em relação a 2024. É o quinto ano seguido de expansão, segundo o Índice de Atividades Turísticas (Iatur), divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento faz parte da Pesquisa Mensal de Serviços e reúne 22 das 166 atividades ligadas ao turismo, como hotéis, agências de viagem, bufês e transporte aéreo de passageiros.

O desempenho de 2025 coloca o setor 13,8% acima do patamar de fevereiro de 2020, período imediatamente anterior à pandemia de covid-19, quando a economia mundial parou e o turismo foi um dos segmentos mais atingidos. A recuperação, no entanto, veio forte e consistente. Depois de uma retração histórica de 36,7% em 2020, o setor acumulou altas seguidas: 22,2% em 2021, 29,9% em 2022, 7,2% em 2023, 3,6% em 2024 e agora 4,6% em 2025.

De acordo com o IBGE, os motores do crescimento no ano passado foram o aumento da receita das empresas de transporte aéreo de passageiros, dos serviços de bufê, das reservas de hospedagem e dos hotéis. A combinação de retomada plena das viagens de lazer e negócios, aliada à realização de grandes eventos, ajudou a sustentar a demanda.

Dos 17 estados pesquisados pelo IBGE — Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Alagoas e Rio Grande do Norte —, 14 registraram alta. O desempenho positivo nacional foi puxado, na ordem de influência, por São Paulo (3,9%), Paraná (5,5%), Bahia (6,6%), Rio de Janeiro (10,8%) e Rio Grande do Sul (11,4%). Embora não tenha tido o maior crescimento nominal, São Paulo exerceu a maior influência no índice por causa do peso econômico do estado na composição do Iatur.

Minas Gerais, com queda de 4,4%, Mato Grosso, com -1,2%, e Goiás, com -0,4%, foram as exceções negativas. Os três estados registraram retração no volume de atividades turísticas ao longo de 2025.

O Pará, que sediou em novembro a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), fechou o ano com expansão de 7,8%, acima da média nacional. O IBGE, no entanto, pondera que "a COP foi um evento importante, mas de duração relativamente curta", o que explica o crescimento paraense ter sido inferior ao registrado em 2024, quando o estado avançou 9,7%. Ainda assim, o dado confirma o impacto positivo de megaprojetos na atividade turística regional.

Ao considerar o setor de serviços como um todo — que inclui as 166 atividades pesquisadas pelo IBGE —, o crescimento foi de 2,8% em 2025, também o quinto ano seguido de expansão. Entre os segmentos de maior influência estão portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet, transporte aéreo de passageiros, transporte rodoviário de carga, publicidade e desenvolvimento e licenciamento de programas de computador.

Com o desempenho de dezembro, os serviços brasileiros estão 0,4% abaixo do maior nível já registrado na série histórica, alcançado em novembro de 2025, e 19,6% acima do patamar pré-pandemia. O turismo, especificamente, já superou esse marcador com folga.

Os números de 2025 consolidam uma mudança de patamar para o setor. O brasileiro voltou a viajar, o estrangeiro voltou a desembarcar no país, e a infraestrutura de bares, restaurantes, hotéis e transportes respondeu à altura. Resta saber se 2026 manterá o ritmo. Por enquanto, o setor comemora: nunca se voou, reservou e faturou tanto nos últimos 14 anos.

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