MPF acompanha situação de funcionários do Hospital Veredas durante intervenção
Entidades sindicais denunciam atrasos salariais e apontam dificuldades na gestão hospitalar.
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O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas se reuniu, na tarde da última quarta-feira (11), com representantes dos trabalhadores do Hospital Veredas, em Maceió, para tratar do atraso no pagamento de salários e das condições enfrentadas pelos funcionários durante o período de intervenção judicial no complexo hospitalar.
A reunião foi conduzida pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Bruno Lamenha, e contou com a participação do Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas (Sineal), do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem de Alagoas (Sateal), do Sindicato dos Radiologistas e Auxiliares de Alagoas (Sintraeal), além de enfermeiras e técnicas de enfermagem que atuam na unidade.
Salários em atraso e proposta de acordo
De acordo com os trabalhadores, estão em aberto seis parcelas salariais referentes aos meses de abril, maio, outubro, novembro e dezembro de 2025, além de janeiro de 2026. Os representantes informaram que participaram recentemente de reunião com a GEESTA, empresa responsável pela gestão do hospital, para discutir um acordo de pagamento.
A proposta apresentada prevê o pagamento de um salário atrasado juntamente com um salário corrente, com a quitação integral dos valores pendentes até julho de 2026. Também foi solicitada a anistia das faltas dos profissionais que aderiram à greve.
Repasses estaduais e críticas ao programa Saúde Mais
As entidades sindicais relataram ainda que mantêm diálogo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) sobre os atrasos. Segundo a pasta, os repasses estariam sendo prejudicados por bloqueios nas contas do Estado.
Durante a reunião, também foram feitas críticas ao programa Saúde Mais. De acordo com os representantes, o programa estaria utilizando insumos do próprio hospital, em quantidade considerada insuficiente para atender à demanda dos procedimentos realizados.
Outra preocupação apontada é a contratação de profissionais autônomos para atuar no programa, em vez da utilização da equipe do Hospital Veredas. Segundo relatos, diante das dificuldades financeiras causadas pelos atrasos salariais, alguns trabalhadores têm aceitado participar de procedimentos por valores abaixo dos praticados no mercado.
Encaminhamentos
O procurador Bruno Lamenha reafirmou o compromisso do MPF com a garantia dos direitos fundamentais e destacou a importância de manter o diálogo permanente com os representantes dos trabalhadores, por meio de reuniões periódicas para acompanhar a situação.
Como encaminhamento, o MPF solicitará à 13ª Vara Federal de Alagoas — responsável pelo processo de intervenção do hospital — a realização de audiência judicial com a participação dos trabalhadores.
O órgão também requisitará informações à atual gestão do Hospital Veredas sobre o funcionamento do programa Saúde Mais, especialmente quanto ao uso de insumos do estoque da unidade. Além disso, será avaliada a possibilidade de adaptação do programa para permitir a participação dos funcionários do próprio hospital nos procedimentos realizados, respeitando o regime de greve.
Por fim, o MPF reiterou seu compromisso com o cumprimento das decisões judiciais, com a defesa da saúde pública e com a observância das garantias trabalhistas durante o período de intervenção judicial.