Vídeo de menina de 12 anos filmando próprio abuso expõe tarado: "Você acha que é pequena ou grande?"
Homem de 22 anos abordava mulheres e adolescentes na rua, pedia informação e exibia o pênis
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Ela tem 12 anos. Estava de bicicleta, sozinha, em uma rua de Taiobeiras, no norte de Minas Gerais. Foi quando um homem a abordou, pediu informação — e, em segundos, baixou as calças. "Você acha assim que é pequena ou grande?", perguntou ele, exibindo o órgão genital. A menina respondeu que não sabia. E fugiu. Mas antes de ir embora, fez algo que poucas vítimas conseguem: filmou tudo com o celular. As imagens, que circularam nas redes sociais em janeiro, não só expuseram o agressor como se tornaram peça-chave para a prisão dele. No vídeo, a menina aparece chorando, ainda sob o impacto da abordagem. Ela encontra um adulto e relata, com a voz embargada: "Ele ficou falando do meu corpo e tirou a parte íntima para fora."
O homem, de 22 anos, foi preso em flagrante e agora é investigado por uma série de crimes sexuais cometidos contra pelo menos cinco vítimas. O caso, que viralizou, acendeu um alerta na Polícia Civil de Minas Gerais, mas as investigações, na verdade, já vinham de antes. Segundo os policiais, o primeiro boletim de ocorrência contra o suspeito foi registrado em novembro do ano passado. Uma jovem de 17 anos procurou a delegacia para denunciar importunação sexual em via pública. O modus operandi era sempre o mesmo: abordar mulheres ou adolescentes desacompanhadas, simular um pedido de informação e, em seguida, expor o pênis e proferir palavras obscenas. Com a divulgação do vídeo da menina de 12 anos, outras vítimas apareceram.
A Polícia Civil já identificou cinco vítimas do suspeito, mas não descarta que haja mais. São elas: uma menina de 12 anos, que filmou o abuso; uma jovem de 17 anos, primeira a denunciar; duas mulheres, de 28 e 35 anos; e a enteada do suspeito, de apenas 11 anos, que morava com ele e relatou aos familiares ter sido alvo de condutas semelhantes. A informação de que a própria enteada estava entre as vítimas chocou os investigadores e aprofundou a gravidade do caso. O homem foi indiciado por dois crimes: satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente, com pena de 3 a 6 anos de reclusão, e importunação sexual, com pena de 1 a 5 anos. A Polícia Civil mineira não divulgou o nome do suspeito, mas confirmou que ele está preso à disposição da Justiça.
Casos como esse escancaram um comportamento recorrente em crimes de importunação sexual: o uso do espaço público como palco de violência. O homem abordava vítimas desacompanhadas, em via pública, durante o dia. Usava a "desculpa" do pedido de informação para se aproximar. Depois, expunha o órgão genital, fazia perguntas de cunho sexual e, em alguns relatos, chegava a tocar o corpo das vítimas. A presença de menores de idade — incluindo a própria enteada — indica que não se tratava de impulso isolado, mas de padrão comportamental. A gravação feita pela menina de 12 anos tem valor jurídico e simbólico. Juridicamente, serviu como prova robusta para a prisão em flagrante e para o indiciamento. Simbolicamente, mostrou que vítimas podem e devem registrar o que sofrem. Em tempos de celular na mão, o abusador perde o controle da narrativa. O que ele achou que seria mais um ato impune virou prova contra ele.
Taiobeiras é uma cidade de pouco mais de 35 mil habitantes, no norte de Minas. Como tantas outras cidades brasileiras, carrega a ilusão de que "isso não acontece aqui". Acontece. A prisão do suspeito não apaga o trauma das vítimas — especialmente da menina de 11 anos que dormia na mesma casa que ele. Mas expõe um padrão que precisa ser levado a sério: homens que usam o espaço público como arma e o corpo feminino como alvo. O caso segue em investigação. A Polícia Civil pede que outras possíveis vítimas procurem a delegacia de Taiobeiras. O vídeo da menina de 12 anos, aos prantos, não é apenas uma prova. É um documento histórico de coragem.