Nikolas Ferreira afirma que tensão com cúpula está 'alinhada' e descarta deixar partido de Bolsonaro
Parlamentar havia manifestado insatisfação com possíveis filiações em Minas, entre elas a do ex-deputado Eduardo Cunha, alvo de rusga interna
Publicado em
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) negou que esteja com os dias contados no Partido Liberal, legenda à qual é filiado e que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em contato com a coluna, o parlamentar afirmou que as tensões internas estão sendo superadas e que não há qualquer plano de deixar a sigla.
“Não está em ponto de ebulição. Estamos alinhando nomes”, declarou Nikolas, ao ser questionado sobre os rumores de uma possível saída. A declaração ocorre após dias de especulações sobre um racha entre o deputado e a cúpula da legenda em Minas Gerais.
De acordo com apuração da coluna, o principal motivo da insatisfação de Nikolas foi a possível filiação do ex-deputado Eduardo Cunha (sem partido). Condenado e preso por corrupção, Cunha articula seu retorno à política e manifestou interesse em disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Minas Gerais.
Ao tomar conhecimento das conversas entre dirigentes do PL e o ex-presidente da Câmara, Nikolas teria dito, em tom de ultimato: “Ou ele é candidato ou eu”. A declaração acendeu o sinal de alerta no partido, que vê no jovem parlamentar um forte puxador de votos — Nikolas foi o deputado federal mais votado do Brasil em 2022, com mais de 1,4 milhão de votos.
Alinhamento em curso
Apesar do desconforto, Nikolas afirmou que o cenário atual é de negociação e alinhamento com a executiva nacional e estadual da legenda. A permanência do deputado é considerada estratégica para o PL em Minas, especialmente diante da disputa proporcional, já que sua alta capilaridade eleitoral tende a beneficiar toda a chapa.
O partido ainda não oficializou nenhum nome para a filiação de Cunha. A cúpula avalia o impacto político e eleitoral da decisão, enquanto tenta preservar a unidade da legenda no estado.