31 de julho de 2025
JUSTIÇA

Júri condena mandantes da Chacina de Poção, em Pernambuco, e penas somam mais de 200 anos de prisão

Bernadete Rocha, apontada como mandante, recebeu 142 anos; ex-diretor penitenciário José Vicente, articulador, foi condenado a 67 anos

Por Paula Tabosa
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As vítimas José Daniel Farias Monteiro, Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos e Carmem Lúcia da Silva - Foto: Reprodução

A Justiça de Pernambuco condenou, na madrugada do último sábado (7), Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha e José Vicente Pereira Cardoso da Silva por envolvimento na Chacina de Poção, crime que chocou o estado em 2015 e resultou na morte de três conselheiros tutelares e de uma idosa. O julgamento ocorreu na 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, no Recife, após três dias de sessões.

Bernadete, apontada como mandante do crime motivado por uma disputa pela guarda da neta, foi condenada a 142 anos, cinco meses e 16 dias de reclusão. Já José Vicente, ex-diretor da Penitenciária de Arcoverde e considerado articulador da ação criminosa, recebeu pena de 67 anos, três meses e oito dias de prisão. De acordo com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), a pena dele foi reduzida pela metade em razão da idade, por ter mais de 70 anos. A defesa apresentou recurso ainda em plenário.

O crime aconteceu em 2015, no Sítio Cafundó, em Poção, no Agreste pernambucano. As vítimas foram os conselheiros tutelares José Daniel Farias Monteiro, Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos e Carmem Lúcia da Silva, além de Ana Rita Venâncio, avó materna de uma criança de três anos que também estava no veículo e sobreviveu ferida. Segundo as investigações, o carro em que eles estavam foi interceptado em uma emboscada e atingido por disparos de arma de fogo.

O julgamento contou com um Conselho de Sentença formado por seis mulheres e um homem. Apesar de o crime ter ocorrido em Poção, o processo foi transferido para o Recife por meio de desaforamento, com o objetivo de garantir a imparcialidade dos jurados.

Ao todo, sete pessoas foram acusadas de participação na chacina. Três réus já haviam sido condenados em dezembro de 2025, com penas que ultrapassam 100 anos de prisão em dois casos. Outro envolvido recebeu sentença de 74 anos em 2024. O julgamento de um sexto acusado foi adiado e ainda não tem nova data definida.

A Chacina de Poção teve grande repercussão social e mobilizou autoridades e entidades de defesa da infância à época, devido à presença da criança no momento do ataque e à motivação ligada à disputa judicial por sua guarda.

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