Caso cão Orelha: MP aponta lacunas e pode pedir exumação do animal para esclarecer maus-tratos
Ministério Público de SC quer aprofundar investigações após polícia indiciar adolescente; defesa contesta linha do tempo das agressões
Publicado em
O Caso Cão Orelha, que chocou o país com imagens de um cachorro brutalmente agredido em Santa Catarina, pode ter um novo capítulo: a exumação do corpo do animal. O Ministério Público do Estado (MP/SC) recebeu o relatório final da Polícia Civil, que indiciou um adolescente como autor dos maus-tratos e três adultos por coação a testemunha, mas apontou lacunas e inconsistências que precisam ser esclarecidas.
Em reportagem exibida pelo Fantástico, o promotor de Justiça Sandro Souza afirmou que o pedido de exumação não está descartado. "Foram observadas algumas lacunas que precisam ser supridas. Pode se apresentar necessária, inclusive, a exumação do corpo do Cão Orelha. E a partir daí podemos ter uma conclusão mais satisfatória do ocorrido", declarou. O MP não tem prazo para se manifestar sobre o relatório, mas já adiantou que irá requisitar diligências complementares.
A Polícia Civil concluiu que as agressões ocorreram entre 5h25 e 5h58 da manhã em questão, na Praia Brava, com base no cruzamento de dados que colocavam o adolescente indiciado no local. No entanto, não há imagens que comprovem a presença do cão na praia nesse horário.
A defesa do adolescente, representada pelo advogado Alexandre Kale, contesta essa linha do tempo. Ele argumenta que o animal foi visto caminhando normalmente por volta das 7h da manhã, o que colocaria em dúvida o horário estabelecido pela polícia para as agressões. "Se ele foi ferido, foi depois do período [apontado pela investigação]", afirmou o advogado.
Outro ponto de divergência é a ausência de um laudo pericial específico para determinar, com base nas imagens, o momento exato das agressões. A polícia se baseou no depoimento do veterinário que atendeu Orelha, que indicou que os ferimentos foram causados por um instrumento contundente. A investigação também não solicitou a perícia do corpo do animal após sua morte, medida que agora pode ser solicitada pelo MP através da exumação.
A polícia afirmou que não viu necessidade da perícia "em termo de interesse investigativo" naquele momento, mas reconhece que a decisão final sobre a exumação cabe ao MP e ao Judiciário.
O relatório policial, que indiciou os quatro suspeitos (cujos nomes não foram divulgados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente), foi encaminhado para análise do MP e da Justiça.