Seis anos de Covid-19: o vírus continua, a luta evolui e o alerta permanece
OMS faz balanço da pandemia, destacando que o Sars-CoV-2 foi controlado, mas não eliminado
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Em janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) devido ao novo coronavírus. Seis anos depois, o cenário é de muito mais controle e otimismo, mas a Covid-19 não desapareceu. O vírus Sars-CoV-2 continua a circular globalmente, evoluir, causar reinfecções, quadros graves e a Covid longa, conforme alerta Maria Van Kerkhove, diretora técnica de resposta à pandemia da OMS.
A trajetória foi marcada por anos intensos de resposta emergencial (2020-2021), transição (2022-2023) e, atualmente, uma fase focada em vigilância e preparação (2024-2025). O fim oficial da ESPII, anunciado em maio de 2023, não significou o fim da pandemia, mas sim uma nova etapa de convivência com o vírus.
A OMS enfrentou críticas e politização durante a crise, inclusive do ex-presidente dos EUA Donald Trump, que usou a resposta inicial da agência para justificar a retirada de financiamento. Van Kerkhove rebate, afirmando que as decisões foram tomadas com base nas informações disponíveis no momento e que a agência evoluiu com os aprendizados, revisando o Regulamento Sanitário Internacional (RSI) e adotando o Acordo de Pandemia da OMS.
A pandemia deixou um legado de ferramentas poderosas: vacinas atualizadas, tratamentos eficazes e sistemas de vigilância aprimorados. No entanto, também escancarou desigualdades globais gritantes, como o acesso desigual a vacinas – que dependeu, em muitos países, da iniciativa Covax Facility – e uma torrente de desinformação que corroeu a confiança pública.
Hoje, um novo desafio surge: a complacência. Com a redução drástica na realização de testes e na notificação de casos, criam-se lacunas perigosas nos dados, dificultando a detecção precoce de novas variantes. Dados recentes do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostram que, nas últimas quatro semanas, a Covid-19 ainda foi responsável por 22,3% dos casos de vírus respiratórios e por 45% das mortes por essas doenças no Brasil.
Diante desse cenário, a mensagem da OMS para o presente é clara: não se acomodar. Maria Van Kerkhove lista quatro pilares essenciais para os próximos tempos:
- Proteger os mais vulneráveis contra casos graves.
- Manter a vigilância rigorosa e o compartilhamento rápido de informações entre nações.
- Investir em pesquisa e tratamento para a Covid longa.
- Fortalecer a preparação global antes da próxima crise, não depois.
“A estratégia atualizada da OMS concentra-se em proteção, integração e preparação — incorporando a Covid-19 nos sistemas de saúde de rotina, e não tratando-a como um problema do passado”, destaca a epidemiologista. O aprendizado de seis anos é claro: a vigilância salva vidas, e a preparação deve ser contínua.