31 de julho de 2025
levantamento

Três em cada dez desaparecidos no Brasil são crianças ou adolescentes, aponta Sinesp

Dos 84,7 mil casos gerais, 23,9 mil envolviam menores de 18 anos; dados mostram alta de 8% na comparação com 2024 e maior vulnerabilidade de meninas

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Instituto do Câncer Infantil/Divulgação

Três em cada dez casos de desaparecimento registrados no Brasil em 2025 envolveram crianças e adolescentes. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), das 84.760 ocorrências gerais, 23.919 (28%) foram de vítimas com menos de 18 anos. Isso significa uma média de 66 boletins de ocorrência diários por sumiço de menores em todo o país. O número representa um aumento de 8% em relação a 2024, quando foram registrados 22.092 casos – crescimento duas vezes superior ao verificado no total geral, que subiu 4% no mesmo período.

Outro dado que chama atenção é a diferença de gênero nessa faixa etária: enquanto os homens representam 64% do total de desaparecidos, entre crianças e adolescentes a maioria (62%) são meninas.

Embora o total de 2025 seja 14% menor que o de 2019 – ano da criação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas –, mantém a tendência de crescimento gradual observada desde 2023. Especialistas ressaltam a necessidade de classificar as circunstâncias do sumiço, que podem ser voluntárias, involuntárias (sem violência) ou forçadas, além de uma categoria chamada "desaparecimento estratégico", quando a pessoa some para sobreviver, como em casos de fuga de agressores.

A experiência do pai Leandro Barboza, de Curitiba (PR), ilustra o drama por trás dos números. Seu filho de 10 anos desapareceu por três dias em dezembro de 2025 após sair para brincar e não retornar por medo de castigo. Enquanto a família percorria o bairro e registrava o boletim, o menino dormiu na rua e foi localizado por um idoso que viu o alerta nas redes sociais. Leandro descreve a angústia de imaginar o pior e critica a culpabilização que muitas famílias sofrem.

"Até na delegacia, um policial me disse que eu e minha esposa poderíamos ser responsabilizados", relatou, defendendo que pais e filhos recebam apoio psicológico após situações traumáticas como essa.