Contas públicas fecham 2025 com déficit de R$ 55 bilhões; dívida líquida bate recorde histórico
Despesas obrigatórias, como Previdência, pressionam resultado, apesar de receita recorde. Dívida líquida sobe para 65,3% do PIB, maior nível já registrado
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O setor público consolidado (União, estados, municípios e estatais) encerrou 2025 com um déficit primário de R$ 55,021 bilhões, equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado, divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (30), representa uma piora em relação ao déficit de R$ 47,553 bilhões (0,4% do PIB) registrado em 2024.
O aumento do rombo foi impulsionado principalmente pelo Governo Central (União), que teve um déficit primário de R$ 58,687 bilhões em 2025. Segundo o Tesouro Nacional, as contas foram pressionadas pelo crescimento de gastos obrigatórios, como Previdência Social e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Um recorde de arrecadação em 2025 (alta real de 2,8%) evitou que o déficit fosse maior, mas não conseguiu compensar o avanço de 3,4% nas despesas.
Outros Agentes e Despesas com Juros:
- Governos regionais (estados e municípios): Aumentaram seu superávit, contribuindo com R$ 9,537 bilhões para reduzir o déficit consolidado.
- Empresas estatais (excluindo Petrobras e Eletrobras): Tiveram déficit menor, de R$ 5,871 bilhões.
- Despesa com juros: Atingiu a marca inédita de R$ 1 trilhão em 2025. No entanto, em proporção ao PIB, caiu para 7,91% (ante 8,07% em 2024), devido principalmente a ganhos de R$ 105,9 bilhões com operações de swap cambial do BC.
Dívida Pública em Nível Recorde:
O resultado negativo das contas se refletiu no endividamento público, que atingiu patamares históricos:
- Dívida Líquida do Setor Público: Subiu para R$ 8,311 trilhões, o que corresponde a 65,3% do PIB – o maior percentual da série histórica. O aumento foi impulsionado pelo déficit nominal, os juros e uma valorização do dólar de 11,1% no ano.
- Dívida Bruta do Governo Geral: Chegou a R$ 10,017 trilhões, equivalente a 78,7% do PIB.
O déficit nominal (que inclui o resultado primário e os juros) também aumentou, passando de R$ 997,976 bilhões em 2024 para R$ 1,062 trilhão em 2025. Este é um dos principais indicadores observados por agências de risco e investidores para avaliar a saúde fiscal de um país.
Os dados consolidam um cenário de pressão fiscal estrutural, com gastos obrigatórios em alta e um nível de endividamento público em trajetória ascendente, desafios centrais para a política econômica dos próximos anos.