31 de julho de 2025
MUNDO

"Tempo de bajular Trump acabou", afirma ex-chefe da Otan em meio à crise da Groenlândia

Anders Fogh Rasmussen, ex-premiê dinamarquês, defende retaliação europeia caso EUA imponham tarifas e propõe plano de três pontos para desarmar o conflito

Por Redação
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Anders Fogh Rasmussen, ex-premiê dinamarquês - Foto: Reprodução

Em um duro posicionamento no Fórum Econômico Mundial de Davos, o ex-primeiro-ministro da Dinamarca e ex-secretário-geral da OTANAnders Fogh Rasmussen, declarou que a "época dos elogios" ao presidente americano Donald Trump chegou ao fim. Ele defendeu que a Europa responda com firmeza e união caso os Estados Unidos imponham tarifas a aliados do bloco em retaliação ao envio de tropas para a Groenlândia.

Rasmussen, que liderou a Dinamarca de 2001 a 2009 e a OTAN de 2009 a 2014, afirmou que a insistência de Trump em anexar o território dinamarquês semiautônomo representa "o maior desafio à aliança desde sua criação, em 1949". "O fato é que Trump só respeita a força e a firmeza. E a união. É exatamente isso que a Europa deveria demonstrar agora", disse à Reuters.

Plano de três pontos para uma solução
Para desarmar a crise, o ex-líder propôs um plano concreto de três pontos:

  1. Atualizar o acordo de defesa EUA-Dinamarca de 1951, que já permite bases americanas na Groenlândia, para incluir uma presença reforçada da OTAN na região.
  2. Estabelecer um pacto de investimento que facilite a extração de minerais na Groenlândia por empresas norte-americanas e europeias.
  3. Criar um "pacto de estabilização e resiliência" para bloquear investimentos chineses e russos em setores críticos da ilha.

Rasmussen afirmou que ainda não apresentou o plano a governos, mas que o discutirá com delegados em Davos na esperança de levar o debate a uma "fase mais construtiva".

Chamado à ação e crítica à submissão
O ex-chefe da OTAN evitou criticar nominalmente o atual secretário-geral, Mark Rutte, conhecido por suas frequentes bajulações a Trump. No entanto, foi enfático ao defender uma mudança de postura. Ele sugeriu que a União Europeia considere usar seu Instrumento Anticoerção — a chamada "bazuca comercial" — se Trump concretizar as ameaças de impor tarifas a oito nações europeias.

A declaração de Rasmussen ecoa a tensão crescente após Trump afirmar, em mensagem ao primeiro-ministro norueguês no domingo (18), que "fez mais pela OTAN do que qualquer outra pessoa" e que agora a aliança "deveria fazer algo pelos Estados Unidos" — uma clara referência à sua pressão pela Groenlândia.

O posicionamento firme de uma figura de alto escalão do establishment de defesa ocidental sinaliza um endurecimento do discurso europeu, sugerindo que a paciência com as demandas unilaterais de Trump pode estar se esgotando à medida que a crise geopolítica no Ártico se intensifica.

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