31 de julho de 2025

Fim de uma era: Anatel inicia retirada definitiva dos orelhões de todo o Brasil

Telefones públicos, ícones desde os anos 1970, começam a ser removidos após fim das concessões; operadoras focam em internet móvel e cobertura digital

Por Redação
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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou a desmontagem dos equipamentos, que há anos vinham sendo usados cada vez menos. - Foto: Sebastião Nogueira/O Popular

Um dos símbolos mais icônicos das ruas brasileiras está com os dias contados. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou o início da remoção gradual dos orelhões em todo o território nacional ao longo de 2026. A medida marca o fim oficial de uma era histórica na comunicação pública, iniciada na década de 1970, e consolida a migração definitiva para a telefonia móvel e a internet.

A retirada ocorre após o término do período de concessão do serviço de telefonia fixa das operadoras. Com o encerramento legal deste modelo, as empresas não têm mais a obrigação contratual de manter os equipamentos públicos. A Anatel coordena a ação em parceria com as concessionárias, seguindo normas técnicas para que o processo não cause transtornos.

O desaparecimento dos orelhões já era uma tendência irreversível. Dados setoriais mostram que o número de unidades em operação despencou de mais de 200 mil no auge para apenas algumas dezenas de milhares atualmente. A esmagadora maioria dos aparelhos remanescentes já se encontrava sem uso constante, danificada ou obsoleta, especialmente nas grandes cidades, onde a penetração dos celulares é total.

A agência reguladora ressalta que as redes móveis de voz e dados oferecem cobertura ampla na maior parte dos municípios, garantindo alternativas de comunicação à população. No entanto, em localidades isoladas ou sem acesso a celular e internet, a Anatel prevê uma exceção: alguns orelhões poderão permanecer em funcionamento até 31 de dezembro de 2028, assegurando um serviço essencial para comunidades vulneráveis.

Para várias gerações, o orelhão foi um equipamento vital, presente em momentos do cotidiano nas praças, rodoviárias e pontos de ônibus. Sua silhueta característica carrega lembranças de uma época em que se fazia fila para dar um "alô" ou avisar que se chegaria atrasado.

Especialistas apontam que a mudança é a evolução natural do setor, refletindo a digitalização da sociedade e a priorização de investimentos em infraestrutura de banda larga. A retirada dos telefones públicos das calçadas simboliza o fechamento de um capítulo com mais de cinco décadas na história das telecomunicações do Brasil, dando lugar a um cenário totalmente dominado pela comunicação pessoal e móvel.

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