Europa se une contra ameaças de Trump de anexar a Groenlândia e Dinamarca
Dinamarca busca reunião urgente com secretário de Estado americano Marco Rubio
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Uma crise geopolítica de proporções histórias está se formando no Ártico após novas e explícitas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar a Groenlândia. Em resposta, a Dinamarca, que administra o território autônomo, e potências europeias estão mobilizando uma frente unida de resistência, com a França liderando a articulação de um plano de resposta entre aliados.
De acordo com a Associated Press, a Dinamarca e o governo da Groenlândia estão buscando uma reunião urgente com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Paralelamente, a França está trabalhando com aliados em um plano de resposta coordenado caso os EUA concretizem a ameaça de anexação.
O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot, declarou à rádio France Inter que o assunto seria tratado em uma reunião com os chanceleres da Alemanha e da Polônia ainda nesta quarta-feira (7). "Queremos agir, mas queremos fazê-lo em conjunto com os nossos parceiros europeus", afirmou.
A tensão escalou significativamente na terça-feira (6), quando a Casa Branca afirmou que "as forças armadas dos EUA são sempre uma opção" em relação à Groenlândia. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, emitiu um comunicado afirmando que "o presidente Trump deixou bem claro que a aquisição da Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional dos Estados Unidos e é vital para dissuadir nossos adversários na região do Ártico".
Apesar da retórica belicosa, o secretário de Estado Marco Rubio tentou acalmar os ânimos ao afirmar a parlamentares que Trump pretende comprar o território, não invadi-lo. No mesmo dia, o presidente teria solicitado uma versão atualizada do plano de aquisição da ilha, revivendo uma ambição que já manifestava em seu primeiro mandato.
Frente europeia em defesa da soberania
Líderes das principais potências europeias e do Canadá emitiram um comunicado conjunto nesta terça-feira reafirmando que "a Groenlândia pertence ao seu povo" e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre o futuro do território. A nota, apoiada também pela Holanda, lembra o compromisso de defesa mútua dentro da OTAN.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi ainda mais enfática, alertando que um ataque americano à região poderia significar o fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
Interesses estratégicos e riquezas naturais
O interesse de Trump na Groenlândia é duplo: a ilha é rica em recursos naturais valiosos (como minerais de terras raras) e possui uma posição estratégica crucial no Ártico, sendo rota de navios de diversas nacionalidades e potencial local para infraestrutura militar capaz de conter avanços da Rússia ou mesmo da Europa.
Os EUA já mantêm uma base militar na ilha, a Base Espacial Pituffik, mas a ambição agora é pelo controle total do território. A crise ocorre no contexto do recente ataque americano à Venezuela e de discursos de Trump que indicam uma política externa cada vez mais unilateral e baseada em demonstrações de força.