31 de julho de 2025
Injeção letal

Técnicos de enfermagem são presos suspeitos de matar pacientes em UTI no DF

Polícia Civil investiga mortes no Hospital Anchieta e apura se outros casos também estão ligados à Operação Anúbis

Por Redação
Publicado em
Técnicos de enfermagem são presos suspeitos de matar pacientes em UTI no DF - Foto: PC/DF

Três técnicos de enfermagem foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal sob suspeita de envolvimento em mortes de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Segundo as investigações, os profissionais teriam aplicado medicamentos de forma irregular em pelo menos três pessoas internadas.

A apuração aponta que um dos suspeitos, principal investigado, teria utilizado uma substância inadequada e repetido a aplicação diversas vezes. Em seguida, aguardava a reação dos pacientes, que teriam sofrido parada cardíaca. O procedimento teria sido seguido por uma tentativa de simular atendimento, com manobras de reanimação, na presença de outras pessoas no quarto.

Em coletiva, a polícia afirmou que o esquema envolvia um homem e duas mulheres. Enquanto o técnico aplicava o medicamento, as duas colegas teriam ficado do lado de fora, impedindo a entrada de terceiros no local.

A investigação indica que o suspeito se passou por médico, acessou o sistema de prescrição do hospital e registrou a medicação. Depois, teria buscado o remédio na farmácia, preparado e escondido no jaleco antes de aplicar nos pacientes.

Os casos ocorreram em novembro e dezembro de 2025, com duas mortes em 19 de novembro e uma em 1º de dezembro. O Instituto Médico Legal (IML) informou que os pacientes tinham gravidades diferentes, e as suspeitas começaram após quedas abruptas no quadro clínico em momentos repetidos.

Ao perceberem condutas atípicas, a direção do hospital abriu investigação interna e demitiu os envolvidos, além de comunicar as autoridades. A suspeita foi confirmada após análise de imagens das câmeras de segurança e dos prontuários médicos. As famílias foram informadas sobre o andamento do caso.

A operação, chamada Operação Anúbis, teve sua primeira fase deflagrada no domingo (11), com prisões temporárias e buscas em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO). A segunda fase ocorreu na quinta-feira (15), com nova prisão temporária e apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

O caso foi registrado como homicídio qualificado, e as duas técnicas de enfermagem são investigadas como coautoras. O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) afirmou que acompanha o caso e que o processo está sob investigação judicial, ressaltando a necessidade de respeitar o devido processo legal.