31 de julho de 2025
Crise no Oriente Médio

Irã fecha espaço aéreo internacional em meio à escalada de conflitos e protestos

Restrição afeta voos estrangeiros e ocorre em meio a alertas de segurança, repressão a manifestantes e ameaça de confronto com os EUA

Por Redação
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Irã fecha espaço aéreo internacional em meio à escalada de conflitos e protestos - Foto: Reprodução/FlightRadar24

O Irã determinou o fechamento de seu espaço aéreo para todos os voos internacionais, com exceção apenas das operações com origem ou destino em Teerã. A decisão foi comunicada às companhias aéreas nesta quarta-feira (14) e ocorre em um momento de forte instabilidade política, intensificação dos protestos internos e aumento das tensões com potências ocidentais.

No início da noite, horários de Brasília, plataformas de monitoramento aéreo indicavam tráfego reduzido sobre a Região de Informação de Voo (FIR) controlada por Teerã. Algumas aeronaves chegaram a alterar rotas ou retornar para evitar o espaço aéreo iraniano.

Mais cedo, autoridades da Alemanha emitiram um alerta oficial recomendando que companhias aéreas do país não ingressassem no espaço aéreo do Irã, citando riscos à aviação civil diante da escalada de conflitos e da atuação de sistemas de defesa antiaérea. Voos internacionais, como os operados pelas companhias Emirates e FlyOne, chegaram a mudar de rota para evitar a região.

A medida ocorre em meio a declarações contundentes do chanceler alemão, Friedrich Merz, que afirmou acreditar que o regime dos aiatolás enfrenta seus “últimos dias e semanas”, diante da repressão violenta contra manifestantes e da perda de apoio popular. Segundo ele, a Alemanha mantém diálogo constante com os Estados Unidos e outros países europeus sobre a situação no Irã.

Escalada de violência

Organizações de direitos humanos apontam um agravamento da repressão estatal. De acordo com a ONG Direitos Humanos no Irã (IHR), mais de 3.400 pessoas morreram durante os protestos entre os dias 8 e 12 de janeiro, a maioria manifestantes. Outras entidades estimam que mais de 18 mil pessoas tenham sido presas, embora a apuração seja dificultada pelo bloqueio quase total da internet no país.

Relatos de testemunhas e ONGs internacionais falam em uso de força letal por parte das forças de segurança, além de execuções extrajudiciais. O governo iraniano não reconhece oficialmente esses números.

Tensão internacional

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump voltou a endurecer o discurso contra Teerã e declarou apoio aos manifestantes, afirmando que “a ajuda está a caminho”. Ele também ameaçou responsabilizar integrantes do regime iraniano pelas mortes registradas durante os protestos.

Em resposta, o governo iraniano denunciou os EUA à ONU e afirmou que atacará bases militares americanas no Oriente Médio caso sofra bombardeios. Segundo a agência Reuters, os Estados Unidos já iniciaram a retirada de tropas de algumas bases na região.

As manifestações no Irã, que começaram com protestos contra a crise econômica, evoluíram para pedidos explícitos pelo fim da República Islâmica, instaurada em 1979, aprofundando um dos momentos mais críticos do país nas últimas décadas.

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