Irã acusa EUA e Israel na ONU por protestos “violentos” no país
Teerã afirma que manifestações foram estimuladas por interferência estrangeira e nega reivindicações internas legítimas
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O governo do Irã acusou oficialmente os Estados Unidos e Israel de serem responsáveis pela escalada de violência durante os protestos que atingem o país nas últimas semanas. A denúncia foi feita à Organização das Nações Unidas (ONU) por meio de uma carta enviada ao Conselho de Segurança nesta terça-feira (13).
No documento, assinado pelo embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, Teerã afirma que Washington e Tel Aviv atuaram para transformar manifestações pacíficas em “atos violentos, subversivos e de vandalismo generalizado”. A carta foi obtida pela imprensa norte-americana.
Segundo o diplomata, o Irã condena o que classificou como “conduta contínua, ilegal e irresponsável dos Estados Unidos”, que, de acordo com o governo iraniano, ocorre em coordenação com Israel. O texto acusa os dois países de interferirem diretamente nos assuntos internos iranianos por meio de ameaças, incitação e incentivo deliberado à instabilidade.
Ainda conforme a manifestação enviada à ONU, as ações atribuídas aos EUA ultrapassariam o campo da retórica diplomática e configurariam violações de normas internacionais. Iravani afirma que Washington adota “práticas desestabilizadoras” que ferem a Carta das Nações Unidas, desrespeitam princípios do direito internacional e colocam em risco a paz e a segurança globais.
A posição do governo iraniano ocorre em meio à intensificação dos protestos e ao aumento da tensão diplomática com os Estados Unidos. Autoridades do país têm rejeitado críticas internacionais à repressão contra manifestantes e sustentam que a violência registrada é resultado de interferência externa, e não de demandas internas da população.
No mesmo dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso contra Teerã e afirmou que o governo norte-americano poderá adotar “medidas muito enérgicas” caso o Irã execute manifestantes detidos durante a atual onda de protestos.