Venezuela tenta voltar a normalidade em meio ao medo e a repressão
Novo governo interino decreta prisão de quem apoie ação dos EUA, suspende visitas a presos políticos e impõe controles; moeda desvaloriza e fome preocupa
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Enquanto tentam retomar uma rotina incerta, os venezuelanos enfrentam um aumento da repressão e uma grave crise econômica após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. O governo interino de Delcy Rodríguez, empossada na segunda-feira (5), decretou a prisão de "qualquer pessoa envolvida na promoção ou apoio" à operação americana e intensificou o controle sobre a população.
Postos de controle foram instalados em várias cidades, onde pessoas são revistadas e podem ser detidas por possuir "material digital" relacionado ao ataque. A repressão já atingiu a imprensa: 14 jornalistas foram detidos temporariamente sem explicação. Além disso, presos políticos tiveram o direito a visitas suspenso e estão isolados, segundo organizações de direitos humanos.
Apesar de uma forte presença policial persistir em Caracas, os sinais públicos de dissidência são mínimos, reflexo do medo de um regime conhecido por punir opositores. Autoridades ligadas a repressões passadas, como Diosdado Cabello (Interior) e Vladimir Padrino López (Defesa), permanecem no poder.
Paralelamente ao controle político, o país enfrenta uma nova escalada da crise econômica. A moeda local, o bolívar, sofreu forte desvalorização, chegando a taxas de até 1.000 bolívares por dólar em algumas regiões. Relatos de aumentos exorbitantes de preços e prateleiras vazias se espalham, com casos de fome em áreas distantes e comércios removendo etiquetas de preço.
Apesar do cenário, o governo pede a normalização. O ministro da Defesa, Padrino López, convocou a população a "retomar suas atividades". Nas ruas de Caracas, há mais movimento, com serviços públicos funcionando, mas muitos ainda temem o que vem pela frente.
A fala de um comerciante da capital à Reuters resume o sentimento de muitos: "aqueles de nós que trabalham todos os dias... precisam continuar ganhando dinheiro. Porque se você não sair para trabalhar, não tem nada."