Autoridades esclarecem como passaporte de Eliza Samudio foi parar em Portugal
Documento foi deixado no país em 2007 e não indica que a vítima tenha vivido no exterior após o crime, segundo informações do Itamaraty
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O reaparecimento do passaporte de Eliza Samudio em Portugal, que alimentou teorias e especulações nas últimas semanas, teve sua origem esclarecida por autoridades brasileiras. O documento foi deixado pela própria Eliza durante uma passagem pelo país europeu, em 2007, e não tem qualquer relação com a hipótese de que ela tenha sobrevivido ou vivido fora do Brasil após o crime que chocou o país.
De acordo com informações obtidas junto ao Ministério das Relações Exteriores, Eliza retornou ao Brasil naquele mesmo ano sem o passaporte, utilizando uma Autorização de Retorno ao Brasil (ARB) — mecanismo oficial concedido por representações diplomáticas brasileiras no exterior quando o cidadão perde ou não possui o documento.
O passaporte registra a entrada de Eliza em Portugal em 2007, mas não traz carimbo de saída. Emitido em maio de 2006, o documento perdeu a validade em maio de 2011. Agora, sob custódia das autoridades consulares, o passaporte será enviado ao Brasil para destruição definitiva, conforme determina a legislação.
Por ser propriedade do Estado brasileiro — e não do cidadão —, o passaporte deve ser eliminado ao fim de sua vigência. A medida ocorre por razões de segurança, já que documentos desse tipo costumam ser alvo de mercados ilegais. O procedimento padrão é a incineração.
Ao desembarcar no Brasil, em novembro de 2007, Eliza apresentou a autorização provisória de retorno, que foi retida pela Polícia Federal ainda no aeroporto. O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou que recebeu o passaporte na sexta-feira (2) e que consultou oficialmente o Itamaraty sobre os trâmites para sua destinação final.
“O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa informa que recebeu o passaporte em questão e aguarda orientação do Ministério das Relações Exteriores para a adoção das providências cabíveis”, informou o órgão, em nota.
O caso Eliza Samudio ganhou repercussão nacional em 2010, após a jovem ser assassinada em um crime marcado por extrema violência. Ela mantinha um relacionamento com o goleiro Bruno Fernandes, então jogador do Flamengo, com quem teve um filho. Segundo as investigações, o crime foi motivado pela tentativa do atleta de evitar o pagamento de pensão alimentícia.
Em 2013, Bruno e outros envolvidos foram condenados por homicídio e crimes associados. O corpo de Eliza Samudio nunca foi localizado.