31 de julho de 2025
MUNDO REAGE

"Chega de ameaças": Groenlândia e Dinamarca reagem a declarações de Trump

Após operação na Venezuela, primeiro-ministro groenlandês rejeita "fantasias de anexação"; Dinamarca lembra aliança na Otan e pede fim das pressões

Por Redação
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O presidente Trump em coletiva sobre o ataque a Venezuela. - Foto: Reprodução

A recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro, amplificou o alarme na Europa diante de novas declarações expansionistas de Donald Trump. Desta vez, o alvo é a Groenlândia, e a reação de Copenhague e Nuuk foi imediata e contundente. O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta segunda-feira que "já chega" de pressões e rejeitou qualquer "fantasia de anexação" por parte dos EUA.

As declarações foram uma resposta direta a Trump, que, a bordo do Air Force One e em entrevista à revista The Atlantic, reiterou que os Estados Unidos "precisam da Groenlândia" por razões de segurança nacional e riqueza mineral, questionando a capacidade da Dinamarca de defender sozinha o território autônomo. A crise escalou com uma publicação nas redes sociais de Katie Miller (esposa de um alto assessor de Trump) mostrando a Groenlândia pintada com as cores da bandeira americana e a palavra "SOON" ("em breve"), gesto classificado por Nielsen como "desrespeitoso".

O governo dinamarquês saiu em defesa de seu território. A primeira-ministra Mette Frederiksen qualificou como "absolutamente absurdo" qualquer argumento para uma tomada de controle e pediu que Washington cessasse as ameaças a um aliado histórico, lembrando que a Dinamarca é membro da Otan. O embaixador dinamarquês em Washington emitiu uma "lembrança amistosa" sobre a estreita cooperação de segurança no Ártico.

A intervenção americana na Venezuela, onde Trump declarou que os EUA governarão o país temporariamente, serviu como um precedente alarmante para líderes europeus. Diplomatas do continente veem nas falas sobre a Groenlândia um reflexo perigoso de uma doutrina que não descarta o uso da força ou da pressão para redefinir fronteiras em áreas de interesse estratégico, como o Ártico – região rica em minerais críticos e com rotas comerciais cada vez mais importantes.

A União Europeia fechou questão em apoio à Dinamarca. Líderes da Finlândia, Suécia, Noruega e França manifestaram solidariedade, reforçando que o futuro da Groenlândia só pode ser decidido por sua população e pelo Reino da Dinamarca, dentro do direito internacional.

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