31 de julho de 2025
em manifestação no marco zero

Venezuelanos no Recife celebram prisão de Maduro e veem intervenção como "mal necessário"

Organizada de forma independente pela comunidade de imigrantes, a manifestação reuniu pessoas que deixaram a Venezuela fugindo da crise econômica e política

Por Redação*
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Organizada de forma independente pela comunidade de imigrantes, a manifestação reuniu pessoas que deixaram a Venezuela fugindo da crise econômica e política - Foto: Marília Parente/Diário de Pernambuco

Um grupo de venezuelanos residentes no Recife realizou um ato simbólico na Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, neste domingo (4), para celebrar a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro. Organizada de forma independente pela comunidade de imigrantes, a manifestação reuniu pessoas que deixaram a Venezuela fugindo da crise econômica e política e agora enxergam na intervenção militar liderada pelos Estados Unidos um caminho necessário para a democratização do país.

Entre os presentes estava a professora de espanhol Marioli Guerreiro, 33, que vive no Recife há quase uma década. Ela defendeu a ação internacional como uma medida extrema, porém justificada: "A gente tentou todos os jeitos democráticos. Infelizmente, não tivemos a força ou o apoio dos militares. Para conseguir essa transição, a gente precisa dessa ajuda estrangeira".

Sobre as críticas de que os Estados Unidos estariam interessados principalmente no petróleo venezuelano, Marioli adotou um tom pragmático: "A Venezuela tem a maior reserva e ela não é atrativa só para os EUA. Rússia, China, Cuba, Irã... eles têm anos explorando nosso petróleo em troca de nada". Ela defende uma "negociação justa" com quem efetivamente pague pelo recurso.

A auxiliar administrativa Isabel Maneiro, 46, que deixou a Venezuela há sete anos após seu salário de professora se tornar insuficiente até para alimentação básica, vê a intervenção como um "mal necessário". "É o preço que a gente tem que pagar por tantos anos de opressão", afirmou. Sua esperança é que a situação melhore "quando chegar o presidente eleito".

Questionada sobre um possível retorno à Venezuela, Marioli ponderou: "Tem que ter condições para a gente poder voltar. Acho que o país precisa, por enquanto, de mais pessoas do exterior ajudando a estruturar o país".

Contexto da intervenção


As forças americanas atacaram Caracas nas primeiras horas de sábado (3), bombardeando alvos militares e capturando Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Eles foram levados para Nova York, onde responderão por acusações de narcoterrorismo.

Neste domingo, as Forças Armadas venezuelanas reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina por 90 dias, conforme decisão do Tribunal Supremo de Justiça.

O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou na manhã desta segunda-feira (5) a um tribunal federal em Manhattan, Nova York, para uma audiência histórica. Maduro, que foi capturado em Caracas por forças dos Estados Unidos na madrugada de sábado (3), deixou o Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn para comparecer perante a justiça americana.

A audiência está marcada para as 14h (horário de Brasília) e será conduzida pelo juiz distrital Alvin Hellerstein, de 92 anos, um magistrado veterano com vasta experiência em casos de grande repercussão.

Maduro responde a uma acusação criminal do Departamento de Justiça dos EUA por tráfico internacional de drogas, um processo que já se arrasta há 15 anos. As acusações formais, renovadas no sábado (3), são as mesmas de uma denúncia de 2020 e incluem quatro crimes.

*com informações do Diário de Pernambuco

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