Desembargador critica “semideuses” no Tribunal de Justiça de AL e anuncia iminente saída do cargo
Márcio Roberto Tenório Albuquerque disse em suas redes sociais que gabinete é indigno e que sofre por ser do 'quinto constitucional'
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No primeiro dia de 2026, o desembargador Márcio Roberto Tenório Albuquerque, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas nomeado ao Tribunal de Justiça (TJAL) pelo governador Paulo Dantas (MDB) via quinto constitucional, publicou um explosivo manifesto em suas redes sociais anunciando sua iminente saída do cargo e fazendo duras críticas à corte.
No texto, intitulado "Altivez Institucional e Urbanidade Recíproca", Márcio Roberto afirma que a decisão de deixar o Poder Judiciário já está tomada, faltando apenas comunicar à família. Ele defende sua produtividade, dizendo que seu gabinete foi "o mais produtivo e eficiente" em 2025, julgando "quase 20% a mais" que o segundo colocado.
Ele também atacou a estrutura do seu gabinete, o classificando como uma "cafua" (lugar pequeno e indigno), em contraste com os "suntuosos gabinetes" da maioria. Márcio Roberto ainda disse no texto ser discriminado institucionalmente, por ter sido indicado do quinto constitucional pelo Ministério Público (MPAL) e chamou a distinção de "lamentável".
Para completar, o desembargador dirigiu-se a colegas que se consideram "semideuses" e "donos da verdade, da sabedoria e da própria Lei", prometendo a partir de agora "absoluta independência e equidistância".
Até sua saída, Márcio Roberto disse que adotará uma conduta de "urbanidade protocolar", limitando o diálogo ao "estritamente necessário". A publicação termina com uma frase emblemática: "Pois a toga que vestimos não é manto de divindade, mas símbolo de uma responsabilidade terrena e passageira. Partirei, espero o mais breve possível, lamentavelmente, sem levar saudade!".
Trajetória
Márcio Roberto foi nomeado por Dantas em março de 2024 para preencher a vaga aberta no quinto constitucional. Formado pelo Cesmac, ingressou no MPE em 1987, com passagem por várias comarcas, atuou como promotor do Júri, procurador de Justiça, corregedor-geral e foi procurador-geral de Justiça por dois mandatos (2020-2022).
Confira a publicação, na íntegra:
ALTIVEZ INSTITUCIONAL E URBANIDADE RECÍPROCA: UM MANIFESTO DE INDEPENDÊNCIA E SIMETRIA
Dirijo-me a todos, neste primeiro dia de 2026, para assentar, de forma indelével, as premissas que nortearão minha judicatura e meu convívio institucional na Corte de Justiça alagoana a partir desta data.
Não é de hoje, agora com intensidade, que analiso a possibilidade de sair do Poder Judiciário, decisão que já tenho como certa, faltando apenas sentar e conversar com a Roberta e o Márcio Júnior, no decorrer do recesso. Que reste claro, tal perspectiva não advém de qualquer erosão vocacional ou exaustão da minha força laborativa, elementos que permanecem hígidos e devotados ao povo alagoano, tanto o é que o meu gabinete foi o mais produtivo e eficiente no transcorrer de 2025, quando foram julgados quase 20% a mais que o seguinte, não obstante as péssimas instalações físicas, de longe indignas de um Desembargador( uma cafua); enquanto outros, a maioria, atuam em suntuosos gabinetes, dizem porque sou do quinto pelo MPAL, lamentável.
Mantenho, e manterei sempre o mais profundo respeito à instituição TJAL, ao meu presidente Fábio Bitencourt e demais integrantes da cúpula diretiva, bem como a meus dignos pares - à exceção dos pobres semideuses - todavia, me coloco de agora pra frente em posição de absoluta independência e equidistância em relação àqueles que se pretendem donos da verdade, da sabedoria e da própria Lei. Minha conduta doravante será pautada pela urbanidade protocolar, limitando o diálogo ao estritamente necessário, até que decida em definitivo pedir minha aposentação, o que espero seja nos próximos dias. A reciprocidade será, daqui por diante, o fiel da minha balança sócio institucional. Aos que se julgam divinos, ofereço o silêncio do respeito institucional; aos que prezam pela humanidade do Direito, ofereço minha colaboração franca, minha admiração e singular respeito. Pois a toga que vestimos não é manto de divindade, mas símbolo de uma responsabilidade terrena e passageira. Partirei, espero o mais breve possível, lamentavelmente, sem levar saudade!