31 de julho de 2025
TECNOLOGIA

Deepfake e eleições 2026: ameaça digital cresce 126% e põe democracia em risco

Relatório alerta para aumento explosivo de vídeos falsos no Brasil; especialistas temem "corrida armamentista" digital e cobram leis específicas

Por Redação
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Deepfakes podem comprometer a opinião dos brasileiros durante as eleições - Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Em pleno ano de eleição presidencial, o Brasil enfrenta uma ameaça digital em crescimento vertiginoso: os deepfakes. Essa tecnologia de inteligência artificial (IA), capaz de criar vídeos e áudios falsos hiper-realistas, registrou um aumento de 126% em ataques no país em 2025, segundo o relatório "Identity Fraud Report 2025-2026".

O cenário preocupa especialistas, que veem nas eleições de 2026 um campo fértil para a manipulação em massa. Em 2024, o DFRLab já mapeou 78 casos de conteúdos confirmados ou suspeitos de serem gerados por IA durante as eleições municipais. Para 2026, a expectativa é de uma explosão, dada a alta polarização política e a escolha do presidente.

O especialista em IA Antônio Netto alerta para uma verdadeira "corrida armamentista""Há poucos anos, produzir um deepfake convincente exigia computadores potentes e conhecimento técnico. Agora, ferramentas acessíveis reduziram drasticamente esse obstáculo", explica. Ele ressalta que os algoritmos de detecção não evoluem na mesma velocidade, deixando as plataformas e a Justiça Eleitoral em desvantagem.

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) instituiu um grupo de trabalho em junho de 2025 para debater medidas contra a desinformação. Uma resolução publicada em 2024 proíbe o uso de IA para criar e propagar conteúdos falsos nas eleições. No entanto, ainda não há um plano específico para deepfakes.

As resoluções que vão regulamentar as eleições de 2026 devem ser aprovadas até março de 2026, após audiências públicas. Procurado, o TSE não detalhou mecanismos em estudo.

Para o advogado criminalista Arthur Richardisson, a norma atual é um "pilar necessário, mas não suficiente". Ele defende três frentes urgentes antes de 2026:

  1. Aprovação de leis específicas que tipifiquem crimes eleitorais e penais com deepfakes.
  2. Criação de um marco geral de IA que dialogue com a legislação eleitoral.
  3. Regulação mais eficaz das plataformas digitais.

O desafio, segundo ele, será equilibrar o combate à desinformação com a liberdade de expressão e os princípios constitucionais.

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