31 de julho de 2025

PF desvenda esquema de lavagem com debêntures e fundos imobiliários na "Farra do INSS"

Investigação aponta que grupo do "Careca do INSS" movimentou milhões por meio de títulos privados e investimentos imobiliários para ocultar dinheiro desviado de aposentados

Por Redação
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Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A Polícia Federal (PF) identificou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, utilizando debêntures (títulos de dívida privada) e fundos imobiliários para ocultar recursos desviados de aposentados e pensionistas. As informações constam na nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18), que prendeu 16 pessoas e cumpriu mandados de busca, incluindo no senador Weverton Rocha (PDT-MA).

De acordo com a investigação, o “Careca do INSS” — preso desde setembro — usava empresas de fachada, como a Prospect e a Brasília Consultoria, para enviar dinheiro à HBR Capital Soluções e Serviços Financeiros, empresa do investigado Rodrigo Moraes, com o objetivo declarado de comprar debêntures. Como a propriedade desses títulos não é pública, os verdadeiros donos do capital permaneceriam ocultos, podendo posteriormente vendê-los no mercado e recuperar o dinheiro de forma aparentemente lícita.

Em uma das transações, Rubens Oliveira Costa, apontado como “carregador de malas” do esquema, enviou ao “Careca” comprovantes de transferências de R$ 1,2 milhão, R$ 1 milhão e R$ 40 mil para a HBR. Em outra, Moraes informou que já haviam sido enviados mais de R$ 6 milhões da conta da Prospect, com previsão de emissão de uma debênture de R$ 8,5 milhões.

A PF também aponta que Cristiana Alcântara, do núcleo administrativo do “Careca”, trouxe a parceria com Rodrigo Moraes e orientou o envio de recursos para fundos imobiliários, estratégia que aumentava a complexidade do rastreamento. Ela teria se tornado sócia do lobista em Sociedades de Propósito Específico (SPEs) e recebido créditos de empresas suspeitas. A Justiça determinou que ela use tornozeleira eletrônica.

Entre os presos está Romeu Carvalho Antunes, filho do “Careca do INSS”. O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Aldroaldo Portal, foi exonerado e terá prisão domiciliar. A operação também mirou a empresária Roberta Luchsinger, herdeira de banqueiro e amiga de Fábio Luis Lula da Silva (Lulinha), que teria recebido R$ 1,5 milhão do esquema.

O ministro do STF André Mendonça autorizou as medidas, que revelam a capilaridade e o nível de sofisticação do esquema de desvio e ocultação de recursos da Previdência.

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