31 de julho de 2025
OPERAÇÃO SEM DESCONTOS

Filho do “Careca do INSS” é preso por suspeita de integrar esquema de descontos ilegais

Investigação aponta aumento de renda incompatível e uso de empresas para movimentar recursos de fraudes em benefícios previdenciários

Por Redação
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Ao todo, 11 entidades foram alvo de medidas judiciais, e os contratos com aposentados e pensionistas foram suspensos. - Foto: Reprodução

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (18), Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, durante nova fase da Operação Sem Descontos, que investiga fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo a PF, Romeu passou a integrar diretamente empresas ligadas ao pai no fim de 2023, após deixar o cargo de programador de sistemas na PicPay Instituição de Pagamentos, onde trabalhou até setembro daquele ano. Ele se tornou sócio de ao menos quatro empresas e teria participação indireta em outros três negócios vinculados ao grupo investigado.

Para os investigadores, as empresas eram utilizadas para movimentar recursos oriundos das fraudes e repassar valores a pessoas e entidades ligadas a servidores do INSS. A Polícia Federal aponta ainda que, entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, a renda mensal de Romeu teria saltado de R$ 1,6 mil para R$ 107,6 mil — um aumento considerado incompatível com sua trajetória profissional até então.

Além de Romeu Antunes, esta fase da operação teve como alvos o secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, que foi afastado do cargo e teve prisão domiciliar decretada, e Éric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis. O senador Weverton (PDT-MA) também foi alvo de mandados de busca e apreensão. O número total de prisões ainda está em atualização.

As investigações apuram um esquema que consistia em descontar mensalidades dos benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização, como se eles tivessem se associado a entidades de classe. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), as associações diziam oferecer serviços como assistência jurídica e convênios, mas não possuíam estrutura para isso.

Ao todo, 11 entidades foram alvo de medidas judiciais, e os contratos com aposentados e pensionistas foram suspensos. O escândalo levou à demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, substituído por Wolney Queiroz.

O governo federal iniciou a devolução dos valores descontados de forma irregular e prorrogou até 14 de fevereiro de 2026 o prazo para contestação dos descontos, que pode ser feita pelo aplicativo ou site Meu INSS, pela Central 135 ou nas agências dos Correios.