31 de julho de 2025
BRASIL

Farra do INSS: PF apreende carros de luxo e relógios importados em nova fase da operação

Operação Sem Desconto expõe enriquecimento ilícito de investigados com recursos desviados de aposentados; filho de ex-diretor do INSS e filho de operador preso estão entre os alvos

Por Redação
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Operação da PF prendeu o filho do "Careca do INSS" - Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quinta-feira (18) uma nova fase da Operação Sem Desconto, escancarando o luxo mantido com recursos desviados ilegalmente de aposentados e pensionistas do INSS. Durante as buscas, foram apreendidos carros de luxo, relógios importados, joias e outros bens de alto valor — adquiridos, segundo as investigações, com o dinheiro fraudado.

Entre os itens recolhidos estão veículos de marcas premium, como Volvo, e relógios estrangeiros. As apreensões ocorreram em vários estados e no Distrito Federal, incluindo endereços ligados ao Senador Weverton Rocha (PDT-MA). A operação também prendeu Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, o conhecido “Careca do INSS”, preso desde setembro e apontado como um dos principais operadores do esquema.

Outro alvo detido foi o advogado Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis. De acordo com a PF, Romeu tinha autorização para movimentar contas das empresas-usadas na fraude e aparece como sócio em estruturas financeiras investigadas.

A organização criminosa promovia descontos associativos não autorizados diretamente na folha de pagamento de aposentadorias e pensões, como se os beneficiários tivessem se filiado a associações de classe — o que, na maioria das vezes, nunca aconteceu. Os valores eram desviados para entidades fantasmas, depois diluídos em contas de empresas e familiares, e finalmente convertidos em bens de luxo para lavar o dinheiro.

A CGU ressaltou que as associações alegavam oferecer serviços como assistência jurídica e convênios médicos, mas não tinham estrutura real para funcionar. Ao menos 11 entidades tiveram contratos suspensos por decisão judicial.

O escândalo abalou o governo federal e levou à saída do então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), que pediu demissão após o avanço das investigações. Em julho, o governo anunciou a devolução dos valores descontados indevidamente, em parcela única, com prazo para contestação até 14 de fevereiro de 2026.

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