Em discurso de reafirmação, Trump foca na economia e imigração, mas evita Venezuela e Ucrânia
Presidente faz balanço do primeiro ano do segundo mandato em pronunciamento à nação, promete "melhor ainda em 2026" e ignora temas geopolíticos sensíveis em meio a desgaste nas pesquisas
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Em um pronunciamento televisionado direto da Casa Branca nesta quarta-feira (17), o presidente Donald Trump procurou reverter o desgaste político de seu segundo mandato com um discurso fortemente centrado em conquistas econômicas e no combate à imigração ilegal, sem menções a países como Venezuela ou ao conflito na Ucrânia.
Com duração de cerca de 18 minutos, o discurso foi uma resposta direta às pesquisas que apontam alta insatisfação popular, principalmente em relação à economia. Trump afirmou que “herdou um desastre” da gestão de Joe Biden e apresentou um balanço otimista de seu governo, prometendo que “o melhor ainda está por vir em 2026”.
O presidente defendeu que sua administração controlou a inflação e está reduzindo o custo de alimentos e medicamentos, além de afirmar que os salários crescem acima da inflação. Na questão migratória, repetiu o discurso de ter acabado com uma “invasão colossal” nas fronteiras e acusou imigrantes de tomarem empregos de americanos.
Sobre política externa, Trump reafirmou ter “acabado com oito guerras” — afirmação questionada por analistas — e citou brevemente o cessar-fogo em Gaza, mas evitou detalhar posições sobre outros conflitos. Ao mencionar o combate a cartéis de drogas, não citou nenhum país especificamente, afirmando apenas que as rotas marítimas de tráfico caíram 94%.
O discurso ocorre em um momento de alta reprovação registrada em pesquisas. Um levantamento da Reuters/Ipsos divulgado um dia antes mostrou que 59% dos eleitores desaprovam o governo Trump. A estratégia de comunicação visa conter a insatisfação antes das eleições legislativas de 2026, quando serão renovados todos os assentos da Câmara e um terço do Senado — cenário que preocupa o Partido Republicano, que teme perder o controle do Congresso.
Trump também anunciou um bônus simbólico de US$ 1.776 para militares, chamado de “Dividendo dos Guerreiros”, com pagamento previsto para antes do Natal. Encerrou reafirmando o lema “America First” e a promessa de “fazer a América grande de novo”, em tentativa de reacender a base conservadora e reverter a narrativa de desgaste.