Colega alertou técnica para não aplicar adrenalina na veia de Benício, mas medicação foi dada por via intravenosa, diz depoimento
Polícia Civil ouviu duas técnicas de enfermagem que estavam no plantão; uma disse que Raiza foi avisada e mesmo assim aplicou a dose, que seria para nebulização
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Novos depoimentos à Polícia Civil do Amazonas revelam que a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva foi alertada por uma colega minutos antes de aplicar adrenalina por via intravenosa no menino Benício Xavier, 6 anos, que morreu no Hospital Santa Júlia, em Manaus. A colega Rocicleide Lopes afirmou que preparou o kit para nebulização e orientou Raiza de que a dose de 3 ml “não poderia ser feita via EV” (endovenosa), apenas por inalação.
Segundo Rocicleide, Raiza confirmou ter entendido, mas minutos depois a chamou desesperada, dizendo que aplicou a medicação na veia e que a criança “foi ficando branco”. A técnica também relatou que Raiza “não gostava de receber orientações” e já havia sido transferida de plantão anterior por atritos com a equipe.
Outra técnica, Nilda Evangelista, confirmou a correria e disse que, ao chegar à sala, Benício já estava “amarelado”. Ela também mencionou que o sistema do hospital apresenta instabilidades e que, nessas situações, a equipe registra as informações em papel para depois atualizar o sistema – alegação usada pela defesa da médica Juliana Brasil para justificar um possível erro na prescrição.
O caso está sendo investigado como homicídio doloso qualificado, com possibilidade de crueldade. A médica e a técnica foram afastadas e já passaram por acareação. A defesa de Juliana sustenta que uma falha no sistema alterou a via de administração registrada por ela. O hospital não se manifestou.