31 de julho de 2025
em entrevista

Mãe relata tragédia e denuncia erro médico após filho de 3 anos ser declarado como morto em hospital do Recife

Este não teria sido o primeiro erro médico enfrentado por Miguel, que tinha paralisia cerebral; segundo sua mãe, em agosto de 2024, o menino sofreu uma grave hipoglicemia não detectada a tempo

Por Redação
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De acordo com Laís, Miguel chegou ao hospital na segunda-feira (1º) com febre e dificuldade respiratória; após ser atendido, foi dado como morto pela equipe - Foto: Divulgação

A morte de Miguel, de 3 anos, em um hospital da rede particular na Zona Norte do Recife, na madrugada da última terça-feira (2), é cercada por um trágico relato de erros médicos e negligência. Em entrevista ao Diario de Pernambuco, a mãe, Laís Maria dos Santos Lima, acusa a equipe de plantão de declarar o óbito da criança enquanto ela ainda apresentava sinais vitais, e de ter ignorado os apelos da família para que o atendimento continuasse. “A médica quis decidir quem é que vive e quem é que morre ali”, desabafou.

De acordo com Laís, Miguel chegou ao hospital na segunda-feira (1º) com febre e dificuldade respiratória. Após ser atendido, foi dado como morto pela equipe. Ao ver o corpo, porém, a mãe percebeu que o menino ainda se mexia e tinha batimentos cardíacos. Apesar das evidências e do relato de um funcionário do hospital que confirmou que a criança "estava viva", a médica plantonista teria ordenado a interrupção dos cuidados e a retirada da traqueostomia de Miguel. "Ela falou: 'vocês têm certeza que vão passar por cima da minha ordem? Porque quem manda sou eu'", relatou a mãe, com base no depoimento de uma funcionária. Após a troca de plantão, uma nova equica de deu suporte, mas Miguel já estava em agonia há horas e não resistiu, vindo a órito por volta das 4h48.

Este não teria sido o primeiro erro médico enfrentado por Miguel, que tinha paralisia cerebral. Segundo sua mãe, em agosto de 2024, o menino sofreu uma grave hipoglicemia não detectada a tempo, entrando em coma e agravando seu quadro neurológico. Antes desse episódio, Laís descreve que Miguel tinha uma vida ativa dentro de suas limitações: "Ele comia oralmente, tomava mamadeira, sorria, já balbuciava... era bem ativo". A sequência de falhas, culminando no trágico desfecho, reforça a sensação de abandono e desamparo vivida pela família.

O caso foi registrado na 4ª Delegacia do Espinheiro e um inquérito policial foi aberto para apurar as circunstâncias da morte. Em nota, o hospital lamentou o falecimento, afirmou que a criança recebeu "atendimento imediato" e que "foram realizadas as intervenções necessárias diante da gravidade do quadro clínico", mantendo-se à disposição da família. Laís, no entanto, não se conforma e busca responsabilização. Ela afirma ter levado o caso aos diretores da rede e planeja acionar a Justiça, o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e o Conselho Regional de Enfermagem (Coren). “Fora do hospital, eu vou botar na justiça... Minha vontade é que pessoas desse tipo deixem de exercer a profissão. Porque mataram o nosso filho”, declarou, determinada a transformar sua dor em uma luta por mudanças.