31 de julho de 2025
DADOS

Sindicalização no Brasil interrompe queda histórica e avança 9,8% em 2024, aponta IBGE

Após mais de uma década de retração, país ganha 812 mil trabalhadores sindicalizados, com maior adesão no serviço público e entre pessoas acima de 30 anos

Por Redação
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Número de sindicalizados no Brasil para de cair e chega a 9,1 milhões - Foto: José Cruz/Agência Brasil

Após mais de uma década de declínio constante, a sindicalização no Brasil deu um importante passo de recuperação em 2024. Segundo edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país registrou um acréscimo de 812 mil trabalhadores sindicalizados no período, um crescimento de 9,8% em relação a 2023. Com isso, o total de associados a sindicatos chegou a 9,1 milhões, elevando a taxa de sindicalização para 8,9% entre os 101,3 milhões de trabalhadores ocupados.

Apesar do avanço, o contingente atual de sindicalizados ainda representa uma queda expressiva de 36,8% em relação ao pico de 14,4 milhões registrado em 2012, quando a taxa era de 16,1%. A trajetória de queda, que se intensificou a partir de 2017, é associada pelos analistas à reforma trabalhista aprovada naquele ano, que, entre outras mudanças, extinguiu a contribuição sindical obrigatória. “Os dados mostram uma correlação forte entre a implantação da lei e a queda do percentual de pessoas sindicalizadas”, aponta William Kratochwill, analista da pesquisa.

A pesquisa do IBGE detalha que a retomada da sindicalização em 2024 foi puxada majoritariamente por trabalhadores com mais de 30 anos. Desse total, 32% das novas filiações concentram-se na faixa etária de 40 a 49 anos, sugerindo um possível retorno de pessoas que já foram sindicalizadas no passado. Por outro lado, os jovens entre 14 e 19 anos representam apenas 0,7% do saldo positivo, com uma taxa de sindicalização de apenas 1,6% nessa faixa etária. “Não há ainda uma grande renovação dos quadros de associação a sindicato”, destaca Kratochwill.

O setor público continua sendo o núcleo do sindicalismo nacional. Cerca de 30,9% de todos os trabalhadores sindicalizados atuam na administração pública, defesa, seguridade social, educação e saúde. Este grupamento também apresenta a maior taxa de associação (15,5%), seguido pela agricultura (14,8%) e indústria geral (11,4%). Em contraste, setores como serviços domésticos (2,6%) e construção (3,6%) têm as menores taxas.

A escolaridade também é um fator determinante. A taxa de sindicalização entre trabalhadores com nível superior completo é de 14,2%, quase o dobro da média nacional. O tipo de contrato de trabalho revela disparidades ainda maiores: enquanto 18,9% dos empregados do setor público são sindicalizados, a taxa cai para 3,8% entre os trabalhadores informais sem carteira. “Além de não ter todos os seus benefícios sociais, o trabalhador informal ainda carece de um meio de luta pelas melhorias”, constata o pesquisador.

Outra tendência identificada pela pesquisa é a redução da diferença entre homens e mulheres no universo sindical. Em 2012, eles representavam 61,3% dos sindicalizados, contra 38,7% delas. Doze anos depois, a participação masculina é de 57,6%, e a feminina, de 42,4%. A diferença nas taxas de associação, que era de 2 pontos percentuais em 2012, caiu para apenas 0,4 ponto em 2024 (9,1% para homens e 8,7% para mulheres). De acordo com a análise, as mulheres “largaram” menos a sindicalização ao longo dos anos e agora acompanham de perto o movimento de recuperação.

Enquanto a sindicalização dá sinais de recuperação, o cooperativismo segue na direção oposta. O número de empregadores ou trabalhadores por conta própria associados a cooperativas caiu para 1,3 milhão em 2024, o menor patamar da série histórica, representando apenas 4,3% dos trabalhadores ocupados.