31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

Justiça pronuncia réu por feminicídio de servidora da UFPE que sofreu 43 facadas no Cabo de Santo Agostinho

Cléber José dos Santos será julgado pelo Tribunal do Júri; juíza manteve prisão preventiva do acusado que não aceitou fim de relacionamento de 7 anos

Por Redação
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Tamires de Almeida Costa Lima, de 34 anos, foi vítima de feminicídio no Cabo de Santo Agostinho - Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Justiça de Pernambuco decidiu que Cléber José dos Santos, acusado de assassinar a servidora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Tamires de Almeida Costa Lima, de 34 anos, deve ser submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. O crime ocorreu em novembro de 2024 no Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana do Recife, e o réu permanece preso desde então.

Na sentença de pronúncia, publicada no final de outubro, a juíza Michelle Oliveira Chagas, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), considerou existirem indícios suficientes de materialidade e autoria para encaminhar o caso ao Júri Popular. A magistrada também manteve a prisão preventiva de Cléber, fundamentando que "a gravidade concreta do delito, evidenciada pela tentativa de destruição de provas mediante incêndio, e pelo contexto de violência de gênero, demonstra o elevado grau de reprovabilidade da conduta".

Segundo as investigações do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o feminicídio ocorreu porque Cléber não aceitou o término do relacionamento de sete anos com Tamires. Ele teria atraído a ex-companheira para uma emboscada na Rua Azul do Mar, em Enseada dos Corais, onde a vítima foi atingida por 43 facadas por volta das 22h do dia 12 de novembro de 2024.

Testemunhas relataram à polícia que Tamires gritou por socorro durante o ataque. Vizinhos que arrombaram a porta da casa encontraram a servidora da UFPE já caída na sala, com extensas marcas de sangue e sinais de fogo no local - indicativos de que o acusado tentou destruir evidências.

A Polícia Civil descobriu que Cléber havia invadido o celular da ex-companheira e descoberto trocas de mensagens com outra pessoa. O acusado teria confessado informalmente o crime para policiais militares que atenderam a ocorrência, porém, durante a audiência de instrução no TJPE, optou por permanecer em silêncio. A defesa não solicitou a absolvição do réu.