Fux cita auditoria do PSDB em 2014 e critica postura de Moraes
Durante julgamento da trama golpista, ministro citou pedido de Aécio após derrota para Dilma e afirmou que TSE agiu com equilíbrio, sem punições
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O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma crítica indireta ao colega Alexandre de Moraes durante o julgamento do núcleo 4 da chamada trama golpista, nesta terça-feira (21). Ao comentar as acusações de fraude nas urnas eletrônicas, Fux relembrou o episódio de 2014, quando o PSDB, após a derrota de Aécio Neves (PSDB) para Dilma Rousseff (PT), solicitou uma auditoria do resultado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Sem citar diretamente Moraes — que foi filiado ao PSDB entre 2015 e 2017 —, Fux afirmou que situações semelhantes já haviam ocorrido no passado sem que houvesse punições ou acusações de atentado à democracia. “Naquela vez, era outro candidato. Em vez de rejeitar de plano, criminalizar ou impor multa bilionária, o TSE tomou a sábia decisão de autorizar a auditoria e apresentar seus resultados à sociedade, indicando não ter sido encontrada nenhuma fraude”, afirmou o ministro.
O comentário foi interpretado como uma alfinetada a Moraes, relator das ações sobre a tentativa de golpe e que, ao longo dos últimos anos, aplicou multas e sanções a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro por propagação de desinformação sobre as urnas eletrônicas. Fux ressaltou que o pedido tucano de auditoria, em 2014, teve o objetivo de “tranquilizar eleitores” e foi tratado com serenidade pelo TSE.
O ministro reforçou que questionamentos sobre o processo eleitoral não são inéditos, mas criticou o uso político das alegações de fraude. A declaração ocorreu enquanto a Primeira Turma do STF analisava o núcleo da desinformação — grupo acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de disseminar notícias falsas com o objetivo de deslegitimar as eleições e apoiar uma tentativa de golpe de Estado.