Érika Hilton critica divisão do fundo eleitoral no PSOL e fala em risco para candidaturas do partido
Deputada questiona distribuição de recursos para 2026; PSOL nega mudanças em políticas de inclusão
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A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) tornou pública, nesta terça-feira (23), uma série de críticas à forma como o PSOL pretende distribuir os recursos do fundo eleitoral para as eleições de 2026. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar afirmou estar decepcionada com decisões da direção nacional da legenda e alertou para possíveis impactos sobre candidaturas de grupos historicamente minorizados.
Segundo Érika, as mudanças discutidas internamente enfraquecem mecanismos criados para ampliar a participação de mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência nas disputas eleitorais. A deputada argumenta que campanhas eleitorais não ocorrem em condições iguais para todos os candidatos e que determinadas candidaturas exigem estruturas mais complexas de deslocamento e segurança.
“Sou uma deputada negra e travesti. Para percorrer o maior estado do país em campanha, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo”, afirmou.
A parlamentar disse ainda que a proposta em debate pode comprometer sua própria candidatura à reeleição, reduzir o potencial eleitoral de nomes competitivos do partido e até colocar em risco a integridade física de candidatos nas eleições do próximo ano.
Críticas à divisão dos recursos
Nas publicações, Érika também questionou a prioridade dada a outros pré-candidatos na distribuição dos recursos partidários. Segundo ela, a definição dos repasses deveria considerar o desempenho eleitoral e a capacidade de ampliar a representação da legenda.
A deputada afirmou ainda que outros filiados estariam sendo prejudicados pelo modelo em discussão e cobrou mais transparência no processo de definição dos valores.
Resposta do partido
Em nota, o PSOL rebateu as críticas e afirmou que não há qualquer proposta para reduzir incentivos destinados a mulheres, negros, indígenas, pessoas LGBTQIA+ ou pessoas com deficiência.
Segundo a legenda, a estratégia de distribuição dos recursos eleitorais tem como objetivo ampliar as bancadas estaduais e federais, fortalecer a federação PSOL-Rede e contribuir para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O partido informou ainda que a proposta sobre os repasses ainda será votada internamente e destacou que a campanha de Érika Hilton está entre as que receberão maior volume de recursos dentro das candidaturas proporcionais da sigla.
O episódio expõe divergências internas sobre a divisão do fundo eleitoral, tema que costuma ganhar força nos partidos à medida que se aproximam as eleições.