31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Idosa de 79 anos é resgatada em situação análoga à escravidão após 50 anos como doméstica no Rio

Vítima trabalhava sem registro e cuidava de mulher centenária sem folgas; Ministério do Trabalho calcula R$ 60 mil em verbas rescisórias e MPT garante salário vitalício

Por Redação
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Trabalhadora doméstica é resgatada em condição análoga à escravidão - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Uma idosa de 79 anos foi resgatada em situação análoga à escravidão após trabalhar por mais de 50 anos como empregada doméstica para a mesma família no bairro de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O caso, descoberto na primeira semana de outubro, foi alvo de uma operação coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal.

De acordo com a equipe de fiscalização, a idosa cuidava de uma senhora centenária sem qualquer registro em carteira ou direitos trabalhistas. O relatório oficial apontou que a trabalhadora - que faz uso de medicamentos para arritmia cardíaca - dormia no mesmo quarto da empregadora, evidenciando que os cuidados eram contínuos e ininterruptos, sem direito a folgas.

A auditoria do Ministério do Trabalho calculou em aproximadamente R$ 60 mil o valor das verbas rescisórias devidas à idosa e determinou o registro retroativo do vínculo trabalhista, além do recolhimento integral do FGTS. O MPT firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com os empregadores, estabelecendo não apenas a regularização das obrigações trabalhistas e previdenciárias, mas também o pagamento de um salário vitalício à vítima.

Após décadas de isolamento e privação de direitos fundamentais, a idosa foi acolhida por familiares e recebe acompanhamento adequado. A Polícia Federal mantém as investigações sobre o caso. Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima através da plataforma do Ministério do Trabalho e Emprego ou pelo Disque 100.