Ministro Zanin vota pela condenação de todos os réus do núcleo de desinformação do golpe de 2022
Seguindo relator Alexandre de Moraes, ministro do STF afirmou que grupo teve "clara divisão de tarefas" para criar "realidade distorcida" e viabilizar atos violentos
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O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), seguiu integralmente o voto do relator Alexandre de Moraes e votou pela condenação dos sete réus do chamado "núcleo de desinformação" da trama golpista de 2022. Em sessão da Primeira Turma nesta terça-feira (21), Zanin afirmou que houve "clara divisão de tarefas" na organização criminosa que buscava a "deposição do governo legitimamente eleito".
De acordo com o ministro, o grupo deu "contribuição efetiva na construção de uma realidade distorcida", o que teria viabilizado a instigação de atos violentos por apoiadores. Zanin concordou com a absolvição parcial do engenheiro Carlos Cesar Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, que foi condenado apenas por integrar organização criminosa e atentar contra o Estado Democrático de Direito, mas absolvido dos crimes de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Para Zanin, há "dúvida razoável" de que Rocha sabia estar contribuindo para um golpe quando avalizou relatório com informações falsas sobre urnas eletrônicas - documento que Moraes classificou como "uma das coisas mais bizarras que a Justiça Eleitoral já recebeu".
O julgamento continua com os votos dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino. O núcleo é composto por militares das Forças Armadas e um policial federal, acusados de montar uma "Abin paralela" para monitorar adversários e coordenar campanhas de difamação, inclusive contra comandantes das Forças Armadas.
Este é o segundo núcleo a ser julgado no processo do golpe de 2022, seguindo-se à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros seis integrantes do "núcleo crucial". Os núcleos 3 e 4 devem ser julgados até o final deste ano.