31 de julho de 2025
ocupação irregular

Condenação por dano ambiental em Piaçabuçu reforça atuação da FPI do São Francisco em Alagoas

Operação integrada flagrou construção irregular às margens do Rio São Francisco; MPF busca aumento de pena aplicada pela Justiça Federal

Por Redação
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A decisão reconheceu os crimes de invasão de terras públicas - Foto: Eduardo Jr./MPF

O Ministério Público Federal (MPF) obteve, na Justiça Federal em Alagoas, a condenação de um veranista acusado de ocupação irregular de área da União e construção ilegal em Área de Preservação Permanente (APP), às margens do Rio São Francisco, no município de Piaçabuçu (AL). A sentença é resultado de ação penal proposta com base em vistoria realizada pela Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do São Francisco, em 2014.

A decisão reconheceu os crimes de invasão de terras públicas (art. 20 da Lei nº 4.947/66) e de construção sem licença ambiental (art. 60 da Lei nº 9.605/98), impondo ao réu a pena de sete meses de detenção, convertida em prestação de serviços à comunidade.

Apesar da condenação, o MPF interpôs embargos de declaração e busca a majoração da pena, alegando reiteração da conduta criminosa mesmo após o acusado ter sido cientificado da ilegalidade. Também foi solicitado o confisco do imóvel construído, com base no artigo 91 do Código Penal, por se tratar de bem obtido como proveito do crime.

Durante a vistoria da FPI, coordenada por diversos órgãos estaduais e federais, foram constatados graves danos ambientais no local, como supressão de vegetação nativa, compactação do solo, assoreamento do leito do rio e impactos negativos ao habitat da fauna silvestre. Laudo da perícia criminal federal confirmou ainda a existência de captação irregular de água e energia elétrica, além de um muro de pneus que impedia o acesso público à margem do rio.

Mesmo após firmar acordo de suspensão condicional do processo que previa, entre outras obrigações, a apresentação de um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e a remoção das construções, o réu descumpriu os compromissos assumidos, levando o MPF a solicitar a revogação do benefício e o prosseguimento da ação penal.

O caso destaca a efetividade da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do São Francisco, programa que reúne órgãos como o MPF, o Ministério Público Estadual (MP/AL), o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) e diversas entidades federais e estaduais. A atuação conjunta visa prevenir e combater crimes ambientais, promover o uso sustentável dos recursos naturais e proteger populações ribeirinhas.

A condenação em Piaçabuçu reforça o papel do MPF na responsabilização judicial de infratores ambientais e demonstra o compromisso com a preservação do patrimônio natural e com a proteção dos bens da União.