Vereadores de Maceió cobram ações contra a violência após três feminicídios em um final de semana
Parlamentares como Chico Filho e Silvania Barbosa alertam para epidemia de violência de gênero e criticam a impunidade durante sessão na Câmara Municipal
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A onda de violência de gênero que resultou em três feminicídios no último final de semana em Maceió dominou os debates na Câmara Municipal nesta terça-feira (14). Parlamentares de diferentes partidos se uniram para cobrar políticas públicas mais efetivas e um rigor maior na punição dos criminosos, classificando a situação como uma epidemia.
O vereador Chico Filho (MDB) foi um dos que expressou profunda consternação com os crimes. “Esse registro dos três crimes de feminicídio em nossa capital me deixou profundamente abalado, e jamais devemos tratar essa situação como uma normalidade”, declarou. Ele relacionou a violência a uma cultura de posse, onde a independência feminina gera reações agressivas. “Muitos homens acabam trazendo para si que a mulher é uma propriedade dele.”
A presidente da sessão, vereadora Silvania Barbosa (Solidariedade), ecoou a preocupação, destacando a contradição entre o empoderamento feminino e a realidade violenta. “Esse empoderamento tem sido bonito no papel, pois na prática tem gerado reações das mais adversas, sobretudo dos seus companheiros. Este comportamento não cabe mais em nossa sociedade”, afirmou.
Raiz do problema e impunidade
A vereadora Olívia Tenório (PP) reforçou que, além do policiamento, é necessário prevenir a violência antes que ela aconteça. “Os crimes continuam aumentando porque as pessoas parecem não entender o quanto esses casos são graves, e podem atingir qualquer mulher. Temos leis em todas as instâncias, mas mesmo assim... três vidas foram perdidas.”
Já a vereadora Teca Nelma (PT) foi direta ao apontar a impunidade como um dos principais combustíveis para a violência. “Homens que não aceitam o fim de um relacionamento, agridem as mulheres e praticam o feminicídio, estão agindo com a certeza da impunidade”, finalizou, ao caracterizar o problema como estrutural, com raízes machistas e patriarcais.
Educação como solução
O vereador Thiago Prado (PP) defendeu uma abordagem conjunta entre sociedade e poder público. “A formação dos jovens é relevante para que eles também entendam a responsabilidade de proteger as mulheres, respeitar as mulheres, e principalmente, não agredir as mulheres”, complementou, enfatizando a necessidade de uma mudança cultural.
As vítimas do final de semana
Os casos que chocaram a capital e motivaram o debate foram:
- Luana Cristina de Menezes Cabral, 27 anos, encontrada morta dentro do próprio apartamento no Trapiche da Barra.
- Ketyni Maria Gomes da Silva, enfermeira morta por asfixia em sua residência no bairro São Jorge.
- Inaianne Costa Silva, babá de 27 anos, assassinada pelo ex-marido de sua patroa no bairro Santa Lúcia.