31 de julho de 2025
Passo importante

Setor audiovisual brasileiro cria federação e divulga estudo que aponta impacto de R$ 70 bilhões no PIB

Os dados foram apresentados no RioMarket, principal evento de negócios do setor na América Latina, e reforçam a relevância do audiovisual na economia brasileira

Por Redação
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A criação da Fica surge como resposta à necessidade de unificação da representação do setor nas discussões com o governo - Foto: Foto: Arquivo/Agência Brasilia

O setor audiovisual brasileiro deu um passo importante nesta segunda-feira (6) com o lançamento da Federação do Comércio e Indústria do Audiovisual (Fica) e a divulgação de um estudo inédito da Oxford Economics, que revela que a indústria gerou R$ 70,2 bilhões para o PIB nacional em 2024, além de 608.970 empregos diretos e indiretos, representando 0,6% da economia do país.

Os dados foram apresentados no RioMarket, principal evento de negócios do setor na América Latina, e reforçam a relevância do audiovisual na economia brasileira. Segundo o estudo encomendado pela Motion Picture Association (MPA), o setor emprega o mesmo número de pessoas que a indústria farmacêutica e supera a automotiva em força de trabalho direta.

Apenas na atividade direta que envolve criação, produção, pós-produção e distribuição de conteúdo o setor gerou R$ 31,6 bilhões do PIB e uma renda média de R$ 6.800, valor 84% superior à média nacional. Além disso, a arrecadação de impostos somou R$ 9,9 bilhões, segundo os autores do estudo, os economistas Daniel Diamond e Alice Gambarin.

Federação unificada para fortalecer políticas públicas


A criação da Fica surge como resposta à necessidade de unificação da representação do setor nas discussões com o governo. A entidade foi motivada pela inclusão do audiovisual no programa Nova Indústria Brasil, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e buscará consolidar o audiovisual como indústria estratégica nacional, nos moldes de países como a Coreia do Sul.

“A Fica vai reunir todos os segmentos do audiovisual. Precisamos de uma representação forte e única para dialogar com o governo. Isso foi estimulado por várias áreas industriais e pelo próprio governo brasileiro”, explicou Walkíria Barbosa, produtora e presidente da nova federação.

Walkíria citou o modelo sul-coreano como inspiração. Em 2023, o país asiático exportou mais de US$ 14 bilhões em conteúdos audiovisuais e musicais, resultado de uma política de Estado bem estruturada. Para ela, o Brasil tem potencial equivalente ou superior devido ao seu território e capacidade produtiva.

Segundo a produtora, o Brasil tem agora um ano para estruturar essa política pública, reforçada pelos dados econômicos do novo estudo. “O audiovisual é um grande soft power e uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento do país”, afirmou.

Diálogo com o governo


Após a divulgação dos dados, representantes do setor se reuniram com órgãos como o MDIC, o Ministério da Cultura (MinC) e a Ancine, buscando garantir apoio institucional para políticas públicas permanentes. Walkíria destacou o papel do secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, como um dos principais articuladores da entrada do setor no programa Nova Indústria Brasil.

“Nada se constrói sozinho. Esse trabalho é fruto de uma construção coletiva que entende o audiovisual como estratégico para o país”, concluiu a presidente da Fica.